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24 de setembro de 2015

Namoradinha do Brasil: Torta de Frango com Catupiry


Assim como os franceses que amam queijo, os brasileiros gostam é do frango. Ou da galinha, você escolhe. Brasileiro gosta tanto de frango, que conseguiu criar um monte de receitas em que o ingrediente principal é o dito cujo. Temos aqueles pratos que inventamos completamente como a coxinha, a coxa creme, o salpicão de frango e o empadão. E também temos aqueles que adaptamos de alguma culinária internacional como o estrogonofe, a esfiha de frango, a pizza de frango com catupiry e por aí vai. Nunca fui fã de frango, mesmo. Mas, por ironia do destino, um dos meus pratos prediletos é feito à base dele: Torta de Frango com Catupiry.


Descobri por meio do livro "História da Alimentação no Brasil (Luís da Câmara Cascudo)", que o frango aportou no país junto com os portugueses. É minha gente, o frango na realidade, é português. Onde os portugueses iam, as aves iam junto. Resultado: elas se espalharam loucamente. O que encantou e foi essencial para difundir a cultura do frango, foi o fato de ser uma ave extremamente fácil de cuidar e abater. Por ser considerada "barata", não demorou para a ave sair ciscando pelos terreiros brasileiros. Acredito que a torta de frango surgiu em um desses momentos. Os empadões foram criados pelos portugueses que, muito provavelmente, também trouxerem a receita para cá. Resultado? Mais um prato incorporado lindamente na nossa cultura.

Quando decidi subir essa receita no blog, tive muita dificuldade na hora de escrever o post. Primeiro porque eu não amo frango, então fica bem difícil falar sobre ele. Segundo, porque essa é uma daquelas receitas que eu simplesmente amo e só isso já basta. Terceiro, e não menos importante, porque não existe uma história particular, uma lembrança afetiva ou um motivo que não fosse vontade. Resumindo: na hora de reproduzir a receita, eu só estava com vontade.

Para esta receita, optei começar do zero. Ou seja, cozinhar o frango e desfiá-lo no dia ao invés de pegar um potinho congelado no freezer. Por mais prático que seja, não existe nada igual a comida feita no dia. Além do que, percebi que essa era uma dica que ia além da torta: de tabela você aprende a fazer um caldo de frango caseiro (o qual pode ser congelado), e também aprende a cozinhar um suculento peito de frango saboroso super express. Viu só? Três receitas em uma só. Há!


Outro ponto importante a ser discutido é em relação ao queijo Catupiry. Eu gosto, mas prefiro ser comedida na hora de cozinhar. Sinto que ele tem um gosto bem forte e, quando usado em quantidades muito grandes, acaba sobressaindo demais e roubando o gosto de outros ingredientes. Então, ao invés de usar um pote inteiro, usei apenas metade. Mas, assim como eu que saí pegando dicas da Rita Lobo, do GNT e de outros meios, você também pode mudar algumas coisas de acordo com o seu paladar!

Inicialmente a receita pode parecer complicada, confesso. Na realidade, ela é apenas trabalhosa por conter várias etapas e, consequentemente, demorar um pouco. Não se assuste! Se serve de dica: deixe se levar pela suculência da torta de frango com catupiry que você não vai se arrepender!


Ingredientes separados, vem comigo!

Para uma torta média (forma de fundo removível):
  • 80g de manteiga em temperatura ambiente
  • 250g de farinha de trigo
  • Água gelada
  • 400g de frango cozido e desfiado OU um peito de frango cru
  • 1 cenoura
  • 1 cebola grande
  • 3 folhas de louro
  • 5 grãos de pimenta do reino
  • 3 cravos da índia
  • ¾ xícara de chá de água (para o cozimento)
  • ⅔ de um pote de queijo catupiry
  • 2 tomates grandes
  • 1 cebola roxa picada em cubos pequenos
  • 2 dentes de alho
  • 2 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 1 xícara de chá de ervilhas congeladas
  • 1 gema
  • Um fio de azeite
  • Sal e pimenta do reino a gosto
  • Q/N do caldo do cozimento do frango
Se você já tiver frango desfiado, pule essa etapa e vá diretamente para a massa. Agora, caso você precise começar do zero, inicie pelo frango. Limpe o peito de frango descartando as peles. Em seguida, corte o peito em pedaços - mantendo os ossos.




Em uma panela de pressão, coloque o frango, uma cenoura cortada ao meio, uma cebola cortada em quatro partes, as folhas de louro, os grãos de pimenta preta e os cravos. Adicione a água e, depois que pegar pressão, deixe cozinhar por 10 minutos (lembrando que o tempo varia de panela para panela). Quando o frango estiver pronto, espere esfriar completamente para desfiá-lo.



Em uma panela, derreta a manteiga e doure a cebola e o alho. Em seguida, adicione os tomates picados.


Quando o tomate estiver bem macio, acrescente o frango desfiado. Em seguida, adicione as ervilhas.


Adicione ½ xícara do caldo do frango e a farinha. Mexa bem para desmanchar possíveis grumos. Acerte o sal e a pimenta do reino. Se o molho ficar muito seco, trabalhe aos poucos com o caldo até ele ficar com uma consistência cremosa, mas não aguada. Reserve.

Em seguida, passe para a massa. Em um bowl, junte a farinha com a manteiga em pedaços e trabalhe com as mãos até virar uma farofa. Adicione a água gelada aos poucos e até dar liga. Trabalhe a massa até ela ficar completamente lisa e homogênea. Enrole a massa em uma pedaço de papel filme e leve à geladeira por no mínimo 1h.




Quando a massa estiver firme, inicie a montagem. Divida a massa em duas partes, sendo uma delas um pouco maior. Em uma superfície lisa e limpa, passe um pouco de farinha e comece a abrir a massa com a ajuda de um rolo. Se a massa começar a grudar do rolo, passe um pouco de farinha sobre ele. A massa não pode ficar com uma espessura fina demais, ok? Molde a massa sobre a forma de fundo removível e, com a ajuda de uma garfo faça vários furos sobre ela.





Espalhe o queijo catupiry. Recheie a torta com o recheio de frango. Reserve.


Pré-aqueça o forno à 220º.

Em seguida, abra a massa restante. Cubra o recheio e feche a torta pressionando e fechando bem as laterais. É importante lembrar de fazer furos/riscos com uma faca sobre a torta para deixar o ar quente sair, caso contrário, ela corre o risco de "explodir" enquanto estiver assando. Se sobrar massa, aproveite para decorar a torta. Finalize pincelando a superfície da torta com a gema batida.




Asse a torta por aproximadamente 35 minutos - lembre-se que esse tempo pode variar de acordo com o seu forno. Espere a torta esfriar um pouco para desenformá-la.

Dicas: sirva com uma salada de folhas verdes ou um arroz branco.

Bon Appétit!

Bisous,
Mariana Muller

9 de março de 2015

Do litoral: Camarão na Moranga


Se tem uma coisa que meu pai é aficionado e, quando tem, ele come mais que o normal é camarão. Por conta dessa paixão, durante um bom tempo ensaiei preparar um camarão na moranga para fazer um agradinho. O problema, é que nada parecia colaborar com o plano. Um final de semana eu fiquei doente, no outro tive que trabalhar, e no seguinte meus pais foram viajar. Quando eu começava a pensar no prato, parecia que alguma força maligna fazia o plano ir ralo abaixo. Pois bem, decidi que isso iria que acabar. Sábado passado comprei uma moranga e, independente do que acontecesse, o prato iria sair na marra. E não é que saiu?


Pesquisando sobre possíveis receitas e preparos, acabei de me deparando com a história - ou lenda - que gira em torno do prato. Por algum motivo, sempre associei o camarão na moranga à culinária baiana. Sabe como é, na minha imaginação fértil o prato sempre foi um primo próximo do bobó perdão aos baianos que lerem o post. Bom, imaginem o susto que eu tomei quando descobri que a receita nasceu no litoral norte paulista, especificamente em Ubatuba! O prato é caiçara minha gente, ou melhor, ubatubense por natureza.

Há muitos anos atrás, a Ilha Anchieta abrigou um presídio em que a sua grande maioria era composta por presos políticos. Um dia receberam uma facção japonesa que, logo após se adaptarem ao novo local, começaram a exercer a prática da agricultura pelo terreno plantando legumes e verduras. Por conta das péssimas condições sanitárias, os japoneses adquiriram esquistossomose, mais conhecida como barriga d’água. Os médicos quiseram curar a doença com remédios, mas os presos se recusaram a seguir as ordens e passaram a tostar as sementes das abóboras e a utilizá-las como vermífugo.


A novidade chegou no continente e, os moradores que sofriam com a mesma doença, passaram a comprar morangas da ilha. Um belo dia, um dos barqueiros que fazia a travessia, perdeu uma moranga no mar. Sabendo que o legume era tido como raro, ficou desolado. A bendita - por sorte - reapareceu em terra firme quase uma semana depois. A mulher que encontrou o legume tratou de cozinhá-lo para oferecer aos pescadores que passavam pelo seu restaurante depois da pesca. Quando abriu a moranga cozida, percebeu que ela estava recheada com camarões sete barbas. Boa cozinheira, tratou de retirar as sementes e complementou o recheio com cebola, tomates e cheiro verde. Ali, na praia de Enseada, nasceu o famoso Camarão na Moranga. Se a história é verídica ou não, eu não faço a minima ideia. Comprei a lenda e já me sinto satisfeita por isso. Acho que saber esse tipo de curiosidade, só enriquece a experiência ainda mais.



Sobre a receita, o mais difícil de tudo foi ter coragem de levantar bem cedinho para ir comprar o bendito camarão fresco. Que me perdoem os adeptos ao camarão congelado, mas do meu ponto de vista nada se compara ao sabor e a textura do fresco. Se for para comprar congelado, melhor deixar para fazer outro dia! O preparo em si é bem fácil e o resultado delicioso. O único ponto é que demora um pouco por causa da cocção da moranga. Se você estiver com pressa, tenho duas dicas: ou deixe para quando estiver em um dia tranquilo, ou então comece a preparar bem cedo.


Separe uma bela moranga e vem comigo ver do estou falando!

Para 6 pessoas:
  • 1 moranga (a minha tinha aproximadamente 3kg)
  • 1,5 kg de camarão médio limpo (usei o cinza)
  • 8 camarões rosa limpos (opcional)
  • 2 dentes de alho
  • 2 tomates grandes
  • 1 cebola média
  • 250g de requeijão cremoso Catupiry
  • Q/N  de azeite
  • Q/N de óleo
  • Sal a gosto
  • Pimenta do reino a gosto

Pré-aqueça o forno à 180º.

Comece lavando em água corrente a moranga. Certifique-se de que ela está limpa e seque-a com um pano. Abra uma tampa com uma faca e retire toda a semente o bagaço da moranga. Feche a moranga com a tampa e embale-a com papel alumínio. Coloque no forno aquecido por aproximadamente 1h30. Como a temperatura varia muito de forno para forno, aconselho ir espetando o legumes até sentir que ele está cozido.




Enquanto isso, pique os tomates bem miudinhos e reserve. Em seguida, corte a cebola e reserve. Por último, amasse os dentes de alho e reserve.



Em uma panela, coloque um fio de óleo e refogue o alho e a cebola picada. Quando a cebola estiver ficando transparente, adicione o tomate e refogue junto. O importante é deixar o tomate quase desmanchando. Reserve.


Um pouco antes de retirar a moranga do forno, tempere os camarões LIMPOS (sem as duas tripas - uma do dorso e a outra localizada na "barriga") com um pouco de sal e pimenta do reino. Reserve.


Quando a moranga estiver no ponto, retire do forno e desembale o papel alumínio com cuidado. Retire a tampa e reserve. CUIDADO! Pode sair um vapor bem quente de dentro, então atenção nessa hora. Com uma concha, retire delicadamente a água que tiver se acumulado dentro da cavidade. Reserve que utilizaremos ela mais tarde. Com uma colher, retire aproximadamente uma xícara de chá da polpa da moranga. Reserve.


Na mesma panela, coloque um fio de azeite e refogue os camarões cinzas até eles ficarem rosados. Esse processo é rápido, algo em torno de 4 minutos. É importante que o camarão não passe do tempo para não ficar borrachudo. Reserve. Coloque um pouco mais de azeite e refogue os camarões rosa. Reserve separados dos cinzas.


Volte os tomates refogados para a panela e adicione o requeijão cremoso. Em fogo baixo, misture até ele dissolver completamente. Adicione a abóbora com uma concha da água reservada e misture. Em seguida, misture os camarões cinzas refogados. 




Com uma concha, preencha a moranga com o creme de camarões. Por último, posicione os camarões rosas por cima. do creme. Volte a moranga ao forno e, se quiser, ligue o grill por 10 minutos.



Dica: como acompanhamento, escolha arroz branco e batata palha (opcional). Eu coloquei Tabasco a parte e acho que fez uma bela diferença. Sirva com um vinho branco gelado.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller