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15 de outubro de 2015

O mais famoso dolce italiano: Tiramisú


Essa semana foi uma verdadeira festa orgia gastronômica italiana. Eu trouxe para vocês o agressivo e minimalista Cacio e Pepe, e o clássico Fettuccine Alla Puttanesca com direito à massa fresca e tudo mais! Depois desses dois pratos que, do meu ponto de vista, definem um pouco a cultura italiana, não poderia deixar de fora o dolce mais famoso do país. Para fechar essa primeira fase - porque com certeza eu farei mais alguns repetecos - decidi que tinha que ser com chave de ouro: com o tradicional Tiramisú.

Assim como a maioria dos pratos italianos, o tiramisú não escapou das dezenas de histórias que rondam a sua origem. Pela composição (gemas e café), alguns historiadores dizem que o doce foi criado pelas cafetinas italianas para dar mais energia aos clientes depois de uma noitada de farra. Outros mais certinhos, afirmam que o doce foi criado para homenagear Cosimo III, um granduque pertencente a família dos Médici. Apesar de achar as duas histórias interessantes, gosto mais da terceira que aponta o finado Alle Beccherie com centro de criação do tiramisú. Na região de Treviso, existe um hábito de servir biscoitos embebidos de café com queijo para dar ânimo aos que necessitam. Alba Campeol, a então dona do restaurante, decidiu criar uma sobremesa que tangibilizasse todo esse afeto de forma doce e elegante. Inclusive, por conta dos seus experimentos para criar a sobremesa perfeita, só em 1972 a Academia Italiana de Culinaria registrou oficialmente o tiramisú.

Por incrível que pareça, o tiramisú sempre fez parte da minha vida. Fui uma criança da década de 90 nascida uma família com hábitos tipicamente paulistanos: comer pizza todo final de semana. Para quem não sabe ou não lembra, na maioria das pizzarias de São Paulo eles serviam a mesma carta de sobremesas congeladas e com o mesmo formato sabor. Para comer uma sobremesa "da casa", era preciso escolher uma pizzaria mais sofisticada. Meu pai, que sempre foi um apreciador do tiramisú, sempre pedia um ao final das refeições. Eu que nunca fui boba, só pedia quando sabia que o doce era de fato caseiro. Por um tempo eu deixei o tiramisú de lado e foquei todas as minhas energias no pudim de leite (que sempre foi uma grande paixão). No entanto, há alguns anos redescobri a sobremesa e, hoje, peço um sempre que posso.

Quando decidi fazer o tiramisú, encontrei infinitas muitas variáveis. Como é possível existirem tantas versões de um doce que é tão tradicional? Sou crica o suficiente para achar que clássicos devem ser preservados ao máximo - caso contrário, não seriam clássicos. Vi receitas em que o creme de ovos virava uma zabaione, outra com a adição de chantilly, gelatina, claras em neve e assim em diante. Resumindo: tudo errado. Sem a ajuda do Google, fui atrás de quem entendia do assunto. Ou seja, confeiteiros conhecidos e as nonnas dos meus amigos. No final, a recomendação foi clara: queijo mascarpone, gemas, açúcar, café, licor ou vinho marsala, cacau em pó e biscoitos champagne. Só.


Não é nem um pouco difícil de fazer tiramisú. Na realidade, é estupidamente fácil. Se vale de conselho, invista em ingredientes bons e frescos. Por exemplo, quanto mais novos os ovos, melhor. Em relação ao queijo mascarpone, se possível, escolha o que tenha a qualidade mais alta. As vezes parece frescura, mas são esses detalhes que fazem toda a diferença. Vejo o tiramisú como uma sobremesa bem especial por ter o sabor delicado do creme, misturado a marcante mistura de café com licor, contrastando com o amargo do cacau. Complexo e elegante.




Mascarpone em mãos, e vem comigo!

Para uma travessa:
  • 350g de queijo mascarpone
  • 4 gemas em temperatura ambiente
  • 1 xícara de chá (175g) de açúcar de confeiteiro
  • 2 xícaras de chá de café bem forte ou espresso SEM AÇÚCAR e em temperatura ambiente
  • 2 colheres de sopa de licor ou vinho Marsala
  • 20 biscoitos champagne
  • Cacau em pó para polvilhar 

Na batedeira, bata as gemas com o açúcar de confeiteiro até virar um creme claro, fofo e homogêneo. Em seguida, adicione o queijo mascarpone e bata novamente até incorporar bem todos os ingredientes e deixar a mistura ainda mais fofa. Reserve.

Misture o licor ou o vinho Marsala ao café. Reserve.

Na travessa, faça uma cama com um pouco do creme de mascarpone. Mergulhe rapidamente o lado do biscoito sem açúcar no café e disponha imediatamente sobre o creme, com o açúcar virado para baixo. Seja delicado porque o biscoito fica ainda mais quebradiço depois de molhado, ok?
Cubra os biscoitos com metade do creme reservado.
Repita a operação fazendo uma segunda camada de biscoitos. Finalize com a outra metade do creme. Leve à geladeira por no mínimo 6h. O doce fica mais saboroso quando descansado na geladeira por 24h.


Antes de servir, polvilhe cacau por cima do creme.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller

19 de maio de 2014

Um crime: Bolo de Chocolate com Buttercream de Chocolate

Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas pelo sumiço das últimas três semanas. Passei por um período bem corrido e de bastante adaptação. Infelizmente, tive que deixar o blog um pouco de lado até me adaptar completamente ou quase. Agora que a poeira baixou um pouquinho, consegui sentar e adiantar tudo que estava atrasado. Vamos colocar esse blog nos eixos novamente minha gente!



Ninguém aqui sabe a dificuldade que foi escrever esse post. Perdi a conta de quantas vezes escrevi, apaguei e recomecei. Para falar desse bolo em particular, as únicas palavras que brotavam na tela do meu computador deixariam qualquer mãe de cabelo em pé especialmente você, mamãe. Sabem aqueles palavrões – que do meu ponto de vista são meras expressões cotidianas – que utilizamos quando queremos enaltecer muito uma coisa? Mostrar que realmente valeu a pena, foi bom ou coisa do tipo? Então. Fica difícil bancar a boa moça em um post desses, porque puta que o pariu esse bolo é demais foda pra caralho.




Pronto, falei.

Foi a primeira vez que eu fiz e já vou logo dizendo que virou uma das minhas receitas prediletas. Acho que assim como o estrogonofe de cogumelos, essa também entrou para o Top 5 de 2014. Sem brincadeiras!



Só a massa, que já é fantástica modéstia a parte, fica responsável por 50% do sucesso. Sério, a MELHOR massa de chocolate. Fofinha, húmida, leve e saborosa. E o melhor de tudo: com gosto e cor de chocolate. Diferente daqueles bolos com massa pálida apagada, essa dá de mil. A cobertura e o recheio fecham o conjunto perfeitamente. Apesar de ser um buttercream, ou seja, feito a base de manteiga, o creme fica leve e aerado. Nem um pouco enjoativo e muito menos pesado!



Fiz esse bolo para o aniversário do meu pai, e passada uma hora do parabéns não tinha mais rastro dele. Nem na mesa e muito menos na bandeja. Se ele era pequeno? Não. A receita rendeu aproximadamente 1,5 kg de bolo.




Resumindo: sucesso absoluto.

Para um bolo de chocolate:
  • 1  3/4 xícaras de farinha de trigo
  • 2 xícaras de açúcar
  • 3/4 de xícara de cacau em pó
  • 2 colheres de chá de bicarbonato de sódio
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 xícara de chá de leite integral (para o buttermilk)
  • 4 colheres de sopa de vinagre branco ou suco de limão
  • 1/2 xícara de óleo
  • 2 ovos
  • 160ml de café quente (tem que ficar forte, ok?)

Para o recheio e cobertura:
  • 3 barras de chocolate meio amargo
  • 300g de manteiga [sem sal] em ponto de pomada (temperatura ambiente)
  • 3 colheres de sopa de leite
  • 1 1/2 colheres de chá de extrato de baunilha
  • 1 1/2 xícaras mais 2 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro peneirado
  • 1 1/2 colheres de sopa de café solúvel
  • 3 colheres de sopa de água quente
  • 1/2 xícara de avelãs tostadas, descascadas E SEM SAL
  • Papel manteiga, manteiga e farinha para preparar a forma

Comece pelo buttermilk! Aqui no Brasil, infelizmente não temos nada parecido à venda. No entanto, a boa notícia é que pode ser feito! O buttermilk vai na massa e serve para enfraquecer o glúten e deixar a massa mais fofa. É fantástico! Misture a xícara de leite integral com quatro colheres de vinagre branco ou limão. Misture e deixe até talhar (algo em torno de 15 minutos). Voilá, isso é buttermilk!




Enquanto espera o buttermilk ficar pronto, prepare a forma em que o bolo será assado. Você pode fazer o bolo em uma única forma e cortar ao meio depois. Ou, faça como eu, e divida a massa em duas formas do mesmo tamanho para não ter esse trabalho.Corte dois círculos de papel manteiga do tamanho do diâmetro das formas utilizadas. Unte a forma, coloque o papel manteiga no fundo, e unte a superfície do mesmo. Enfarinhe. Reserve.   





Pré aqueça o forno a 170º.

Para a massa, misture em um recipiente com a ajuda de um fouet todos os secos: farinha, açúcar, cacau, bicarbonato, fermento e o sal.




Em outro recipiente, misture o buttermilk, os ovos, o óleo e a essência de baunilha. Misture bem até formar um líquido bem homogêneo.




Aos poucos, sempre com o auxílio de um fouet, incorpore delicadamente a mistura dos líquidos à dos secos.




Por último, adicione o café quente e mexa até incorporar completamente à massa.



Asse por 35 minutos. O tempo varia de acordo com cada forno, então, faça o teste do palito. Enfie um palito no centro do bolo e se ele sair limpo, significa que está bom.

Deixe os bolos esfriarem, desenforme-os e retire CUIDADOSAMENTE o papel manteiga. Reserve.

Para o recheio, comece derretendo o chocolate meio amargo em banho-maria.Quando ele estiver completamente derretido, retire do banho-maria e deixe reservado em temperatura ambiente.



Na batedeira, em velocidade média, bata a manteiga (que deverá estar em ponto de pomada/temperatura ambiente) até ela ficar aerada, clara e bem cremosa.



Adicione o leite e a baunilha. Continue batendo até incorporar.

Abaixe a velocidade da batedeira e junte aos poucos o açúcar de confeiteiro. Bata até deixar o creme bem homogêneo.



Enquanto isso, dissolva o café solúvel em uma xícara com a água quente.

Retire da batedeira e aos poucos, incorpore o café e o chocolate derretido ao creme de manteiga. Mexa delicadamente com a ajuda de um fouet.




Para montar o bolo, espalhe um pouco no meio (recheio) e cubra o topo e as laterais com a outra parte do buttercream.




Se você não achar avelãs trituradas grosseiramente, com a ajuda de um pano de prato e um martelo, faça isso em casa.





Finalize cobrindo o topo do bolo com as avelãs picadas.

Dica: para um buttercream de chocolate mais escuro, adicione mais chocolate derretido.

Bon Appétit!

Bisous,
Mariana Muller

28 de fevereiro de 2014

Para comemorar o Carnaval: Brownies de Chocolate


Hoje eu acordei, como diria a minha mãe, sedenta por um docinho. Antes mesmo do despertador tocar, eu pulei da cama atrás de um pedaço de chocolate! Esse é um hábito que eu carrego comigo há muito tempo. Desde pequena demonstro sinais de ser uma pessoa agitada e um pouco muito ansiosa. Quando eu era mais nova, essa ansiedade se manifestava na hoa do café da manhã, quando eu ia até a cozinha a procura de um chocolate ao invés de um pedaço de pão. Chocolate e uma xícara de leite. Durante a adolescência fazia isso não só de manhã, como também de madrugada. Hoje, já aprendi a controlar de algumas maneiras... Mas nem sempre elas são eficazes.



Quando me encontro nessa situação e quero comer um "doce", significa que eu quero um chocolate. Não tem jeito! Pode ser ao leite, meio amargo, branco, com amendoin, cookies. Mas tem que ser cho-co-la-te.



Por causa dessa, digamos, ansiedade, minha mãe teve que desenvolver algumas técnicas ao longo dos anos. Técnicas que ela não consegue largar até hoje! O que quero dizer, é que antigamente, para se defender da minha boca nervosa e do meu irmão, ela simplesmente escondia todos os chocolates pela casa! Apesar do esforço, como nós já conhecemos todos os possíveis esconderijos, nunca é muito difícil achar uma barrinha de chocolate.

Hoje, enquanto estava caçando uma barra de chocolate, me dei conta de que queria algo mais e não somente o chocolate puro. Nada de bolos, ganaches e coisas do tipo. Queria algo mais atrativo, diferenciado e com um gosto bem acentuado. A solução que eu achei foi a de fazer: brownies.

Brownies são cremoooosos, doooooces e ainda por cima, possuem um gosto ridiculamente acentuado de chocolate. Ou seja, receita perfeita para a ocasião.



Satisfação foi pouco quando eu dei a primeira mordida!

Vem comigo!

Para uma forma de brownies (12 pedaços grandes):
  • 260g de chocolate (eu usei uma barra ao leite e outra meio-amargo)
  • 200g de manteiga sem sal
  • 3 ovos grandes em temperatura ambiente
  • 150g de açúcar
  • 1 colher de sopa de cacau em pó
  • 1 colher de café de café solúvel forte (opcional)
  • 1 xícara de chá de nozes picadas grosseiramente
  • 1 xícara de chá de farinha
Pré aqueça o forno a 180º.

Comece derretendo o chocolate com a manteiga em banho-maria. Assim que derreter, retire do banho-maria para não comprometer a massa.



Adicione o açúcar e mexa com a ajuda de um fouet. É normal a massa ficar granulada, portanto, não se preocupe!


Quebre os ovos, um a um, e mexa bem com o fouet.


Adicone a farinha peneirada aos poucos e misture bem para deixar a massa bem homogênea. Se quiser, pode deixar o fouet de lado e mexer com uma espátula de silicone.


Junte o cacau em pó, o café solúvel e o sal. Mexa bem para incorporar todos os ingredientes.



Ao final, acrescente as nozes e mexa pela última vez.

Eu forrei um pirex com papel alumínio e espalhei a massa com a ajuda de uma espátula. Se você quiser, pode apenas untar e enfarinhar a forma. Asse por aproximadamente 25 minutos. LEMBRE-SE que o tempo varia de acordo com cada forno. A partir dos 20 minutos, eu aconselho espetar uma faca e ir controlando. O brownie fica com o aspecto "solado" e deve sim ficar molhado/cremoso no meio.



Espere esfriar completamente para desenformar e cortar.

Dica: na hora de servir, esquente um pouco no microondas e adicione uma bola de sorvete de creme.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller