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17 de março de 2015

Meatloaf brasileiro: Bolo de Carne com Batatas e Cebolas Assadas


Assim como acontece em qualquer cultura do mundo, cada país tem os seus pratos típicos e receitas tradicionais. Por exemplo, nem só de hambúrguer e pizza vivem os americanos ju-ro. Já falei sobre as lindas panquecas, a torta de maçã (apple pie) e hoje, o assunto é bem de dona de casa: meatloaf, ou simplesmente, bolo de carne. Minha mãe não é americana e eu não moro nos Estados Unidos, mas por incrível que pareça, esse é um daqueles pratos tradicionais dos nossos almoços de domingo. Ah! E por aqui, em casa no caso, ele é simplesmente o “bolo de carne da mamãe”.

Quem conhece um pouco a cultura culinária americana, sabe que esse é um daqueles pratos que toda mãe sabe fazer. Pode até parecer brincadeira, mas cada uma possui a própria receita secreta e, dificilmente compartilham os segredos do "bom preparo" umas com as outras. Preparar um bom meatloaf, é sinônimo de puro orgulho para as matriarcas americanas. As vezes, apesar de não concordar com isso, eu tenho a leve sensação de que elas enxergam o meatloaf como uma extensão do tempo dedicado à família: quanto melhor ele for, mais cuidado ela demonstra ter.


Definitivamente, de todos os pratos que a minha mãe Veroquinha prepara, esse não é o meu predileto. Mas eu sou a exceção, o meu pai e o meu irmão adoram. Inclusive, quando tem, o meu irmão é o primeiro a garantir uma marmitinha para ele levar embora. O que eu acho bacana nesse prato é que ele é super completo: tem carne (proteína), batata (carboidrato) e cebola (um legume rico em vitaminas). Ou seja, é um prato único e sem a necessidade de acompanhamentos. Claro que esse pensamento não inclui meu pai e meu irmão ogros que nunca dispensam um arroz branquinho para acompanhar. 

Outro ponto legal desse prato é que ele é ridiculamente fácil de fazer: além dos ingredientes comuns encontrados em qualquer supermercado, o preparo em si não tem nada demais. Uma massa de carne moída temperada que vai direto para forno. Quer coisa mais simples?



Entendeu que não precisa perder tempo? Então chega de jogar conversa fora e vem comigo!

Para 6 pessoas:
  • 1kg de carne moída (uso o coxão mole)
  • 1 ovo
  • ⅔ de xícara de chá de farinha de rosca
  • ½ cebola bem picada
  • 2 dentes de alho amassados
  • 1 colher de chá de pimenta Tabasco (de café se você não for fã de pimenta)
  • 150g de bacon
  • ¼ xícara de chá de água
  • Sal a gosto
Para os acompanhamentos:
  • 9 batatas
  • 5 cebolas grandes
Pré-cozinhe as batatas em uma panela com água por aproximadamente 20 minutos até elas ficarem levemente macias. É importante que ela não cozinhe inteira porque depois vamos levá-las ao forno, ok? É só uma pré-cozida mesmo. Depois de pronta, descasque e corte em três ou quatro pedaços. Reserve.

Em um bowl, junte a carne moída com a cebola bem picadinha e com os dentes de alho amassados.


Em seguida adicione a farinha de rosca.


Por último, acrescente um ovo batido, a pimenta Tabasco e um pouco de sal (algo em torno de 2 colheres de chá rasas - tudo depende da sua preferência). Misture até formar uma massa de carne bem homogênea.





Forre uma forma com papel alumínio e molde um bolo de carne bem ao centro. Disponha as batatas e as cebolas cortadas em quatro partes.


Para a finalização, derrame a água filtrada nas laterais da forma para que a carne a as batatas não grudem. Salpique o bacon (eu gosto de picar em cubos, mas você pode fazer em tiras se achar melhor) por cima do bolo de carne. Regue sem exageros as batas, as cebolas e o bolo com azeite. Finalize salpicando sal nas batatas e nas cebolas.


Ligue o forno à 200º (não precisa pré-aquecer), cubra com um pedaço de papel alumínio apenas a carne (sem preciosismo) para que ela não seque. Asse por 30 minutos. Retire o papel e asse por mais 10 minutos. Se o seu forno tiver um grill, ligue para tostar levemente o bacon e as batatas.

Dica: aqui em casa nós gostamos de adicionar molho inglês na carna já assada, fica muito bom!

Bon Appétit!

Bisous,
Mariana Muller

24 de abril de 2014

Para o aniversário do papis: Hambúrguer Caseiro de Maminha


Como o aniversário do meu pai caiu no meio da semana, um pouco antes da data eu perguntei se ele gostaria de sair para jantar ou então fazer algo em casa. Ele disse que não fazia questão de fazer nada, exatamente pelo fato de que no dia seguinte ele teria que levantar cedo. O ponto é que eu JAMAIS permitiria passar a data em branco, nem que para isso eu cantasse parabéns com um muffin. Depois de muita insistência, ele aceitou um jantarzinho aqui sem muita firula. Segundo ponto, o que ele queria comer. A resposta foi: qualquer coisa.

Gente, essa resposta é UÓ. Se você pergunta é porque quer uma resposta, portanto, "qualquer coisa" é de matar. Fiquei pensando no que ele gostava de comer e de novo caí em um bilhão de alternativas. Ser filha de pai gordinho não é fácil minha gente!

Então, alguma criatura divina iluminou a minha cabeça e percebi que estava fazendo a pergunta errada. Ao invés de me perguntar o que ele gostava, deveria me perguntar o que ele sempre faz questão de pedir quando saímos ou pediria se combinasse com o prato. EUREKA! Adivinhem qual uma das coisas que ele mais gosta? Batata frita! Só que né, QUEM em sã consciência faz um jantar onde o prato principal é a batata frita? Uma pessoa muito sem noção.

Again, qual prato fazer a noite que leve como acompanhamento batatas fritas? HAMBÚRGUER! Gente, duas coisas que ele ama de paixão. Pronto, resolvido. Mas... Como fazer um bom hambúrguer? Daqueles suculentos, com um ponto perfeito (ou seja, meio mal passado no miolo), macio e saboroso?


Escolhi uma carne nobre, no caso, a maminha. Além de saborosa, ela é super macia. Se quiser, também pode optar por um blend de carnes, tipo: fraldinha + maminha, acém + maminha, etc. Outra coisa importante, é colocar gordura no meio. Isso mesmo, na hora de moer a carne, acrescente cerca de 20% de gordura na mistura. Ela vai dar sabor e mais maciez. Vai por mim! Desapegue da ideia de colocar mil e um temperos na carne. Hambúrguer bom é hambúrguer apenas com sal e pimenta do reino. O ponto alto é exatamente o sabor da carne, portanto, nada de artifícios para mascará-lo. Por último, nada de ficar virando o hambúrguer várias vezes. Uma vez de um lado, e outra vez do outro. Além de formar uma casquinha, você não só evita de perder o suco da carne como também cozinha ela perfeitamente.

Ah! Peço desculpas pelas poucas fotos. Tive que ser muito ligeira antes que meu pai e meu irmão surtassem rs.

Para 4 hambúrgueres:
  • 800g de maminha moída com 20% de gordura
  • Sal a gosto
  • Pimenta do reino moída a gosto

Para a montagem:
  • 4 pães para hambúrguer
  • Q/n de tomate
  • Q/n de alface
  • Q/n de queijo prato (você pode trocar por cheddar, mussarela, gruyère etc)
  • Q/n de cebola
  • Q/n de maionese
  • Q/n de mostarda
  • Q/n de ketchup

Retire a carne moída do saquinho e misture bem com as mãos. Separe 4 montinhos de carne de aproximadamente 200g e trabalhe um pouco para incorporar bem a carne com a gordura. Molde discos altos com as mãos (altura de 2 cm +/-). Proteja os discos de carne com papel manteiga e leve a geldadeira por meia hora para firmar a carne.



Na hora do preparo, aqueça a chapa com um fio de azeite ou óleo. Tempere o hambúrguer dos dois lados com sal e pimenta do reino (lembre-se: APENAS na hora em que for fritá-lo). Aperte a carne levemente com uma espátula na chapa e espere fritar. Você saberá que está na hora de virar quando formar uma casquinha embaixo e as laterais do hambúrguer começarem a ficar cozidas. Vire, pressione o hambúrguer levemente e aguarde mais um pouquinho (2/3 minutos). Cuidado para não passar do tempo, ok? Nosso objetivo é fazer um hambúrguer bem macio e suculento, para isso a carne deve ficar levemente rosada no miolo.



Quando o hambúrguer estiver quase pronto, coloque uma fatia de queijo por cima e espere derreter completamente. Retire imediatamente da chapa. Se quiser, corte umas rodelas de cebola e coloque na chapa para dourar junto com os hambúrgueres. Fique de olho para não queimá-las.

Para a montagem, corte o pão no meio. Passe maionese, coloque uma folha de alface, o hambúrguer, a cebola grelhada, e o tomate. Coloque a fatia de pão ao lado. Se quiser fechar o hambúrguer, utilize um palito para prender.

Fácil, né?

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller

7 de abril de 2014

Inshallah! Esfihas Fechadas Recheadas (Carne e Ricota Temperada)



Sempre tive uma queda bem grande por comida árabe: esfiha aberta, fechada, folhada, quibe frito, quibe crú, tabule, charutinho de uva, arroz com lentilha, docinhos diversos com pistache, nozes, damasco... Hmmm, são tantos que eu não consigo decidir qual é o meu predileto! Das casas/restaurantes, também é impossível eleger o melhor! Quando pequena frequentava o Jaber e a Catedral com as minhas avós que moravam ali do lado. Com o meu pai ia até a Esfiha Imigrantes. Já a minha mãe sempre optou pelo Almanara (até hoje os melhores charutinhos de uva), pela Brasserie Victoria (a esfiha de carne é ma-ra-vi-lho-sa), pelo Raful (sério, as melhores esfihas de SP), Arábia e assim em diante. Ou seja, opção nunca faltou para eu me deliciar com os pratos árabes.



Apesar de AMAR comer comida árabe, quase nunca como algo que não seja de um local especializado nelas. Todo mundo sabe que de todos pratos árabes, foram dois os que realmente caíram no gosto do povo: quibe e esfiha de carne fechada. E bom, sejamos honestos, esfiha e quibe que vende em posto de conveniência, padaria, lanchonete de colégio e assim em diante, não seguem a receita tradicional a risca. Na verdade, não segue porcaria nenhuma! Pimenta síria, hortelã e outros temperinhos são, digamos assim, "esquecidos". E cá entre nós, sem os temperos certos... Fica faltando alguma coisa!



Já estava ensaiando para fazer esfihas há um bom tempo. Meu gorduchinho de plantão pai, já estava lançando indiretas de que um dia eu poderia fazer uma tentativa. Bom, todo mundo aqui em casa já aprendeu que para me tentar é só jogar a ideia. O resto, acontece quase que naturalmente. Perguntar se eu quero experimentar uma receita nova é igual perguntar se eu quero dinheiro, logo, a resposta sempre será sim. Pois bem, esfihas here we go!



Fiz uma receita e dividi em dois recheios: carne e ricota. Como eu sou exagerada generosa, digamos que o recheio não deu para as 15 esfihas rs. Então, tive que apelar para a mussarela que também ficaram boas. Tirando isso, sucesso absoluto!



Vem comigo habib!

Para 15 esfihas grandes:

Para a massa
  • 2 tabletes de fermento biológico fresco (cada um de 15g)
  • 500ml de leite morno (usei desnatado)
  • 3 colheres de sopa de açúcar
  • 1 1/2 colher de chá de sal
  • 2 colheres de sopa de óleo
  • 6 1/2 xícaras de chá de farinha de trigo (aproximadamente 780g)
Para o recheio de ricota
  • 250g de ricota esfarelada (usei a da Yema)
  • 1/2 cebola pequena picada
  • 2 colheres de sopa de cebolinha picada
  • 2 colheres de sopa de salsinha picada
  • 1 ovo
  • Sal a gosto
  • Pimenta síria a gosto
  • Azeite a gosto
Para o recheio de carne
  • 250g de carne moída (de preferência, EVITE usar a congelada)
  • 1 tomate picado sem semente
  • 1/2 cebola pequena picada
  • Suco de meio limão
  • Sal a gosto
  • Pimenta síria a gosto
  • Azeite a gosto
Comece pela massa. Em um potinho, dissolva os tabletes de fermento com um pouco de leite morno. Em seguida, em um recipiente grande, junte o fermento dissolvido com o restante do leite morno. Adicione o sal, o açúcar e o óleo. Mexa bem.




Aos poucos adicione a farinha e trabalhe a massa com as mãos (eu acho mais fácil). Trabalhe até ela desgrudar completamente da mão. Se houver necessidade, adicione mais um pouquinho de farinha.




Faça uma bola com a massa e deixe descansar (coberta por um pano) por aproximadamente meia hora.

Enquanto a massa descansa, prepare os recheios. Para o de carne, esquente uma panela, coloque um fio de azeite (sem miséria, ok?) e refogue a cebola em fogo médio/baixo até ela ficar transparente (não queremos ela queimada). Adicione os tomates e refogue até eles ficarem molhinhos e soltarem água.



Adicione a carne e refogue até ela cozinhar. Fique atento e tente soltar os grumos ao máximos. Quando ela estiver pronta, desligue o fogo, adicione o suco do limão e os temperos. Acerte o sal de acordo com o seu paladar. Reserve.



Para o de ricota, esquente uma panela (se for usar a mesma, lave para não pegar o gosto da carne) e coloque um fio de azeite. Refogue meia cebola picada em fogo médio/baixo até ela ficar transparente. Desligue o fogo.



Adicione a ricota esfarelada (já mostrei como se faz aqui e aqui), o ovo, as ervas e a pimenta síria (de acordo com o seu paladar). Misture muito bem até formar uma pasta. Acerte o sal. Reserve.




Pré-aqueça o forno à 200º.

Volte para a massa! Com esse tempo de descanso, ela já terá inchado um pouco. Faça bolinhas (eu fiz 15) e deixe-as descansando mais uns 10 minutos em uma forma. Lembre-se de cobrir com um pano, ok?




Passados os 10 minutos, em uma superfície lisa e enfarinhada (pouca farinha hein), abra uma bolinha com a ajuda de um rolo e coloque duas colheres de sopa de recheio no centro. Você pode fechar como quiser! Para as de carne fiz um triângulo e para as de ricota um travesseiro. Se quiser faça uma barquinha ou um paltelzinho! Apenas certifique-se que você fechou bem todos os lados (para o recheio não escapar). Unte as formas com óleo antes de dispor as esfihas recheadas.






Coloque as esfihas para assar à 200º por 10 minutos. Depois disso, abaixe o fogo para 180º e deixe assando por 30 minutos ou até ficarem douradas!

A receita pode parecer trabalhosa por ter muitas etapas. No entanto, eu garanto que é não é nenhum bicho de sete cabeças!

Dica: se as suas esfihas ficarem ressecadas, molhe um pano de prato e torça bem, deixando-o apenas úmido. Disponha sobre as esfihas por um tempo.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller