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22 de junho de 2015

Veggie: Penne com Cebola Caramelizada e Rúcula Crua


Eu já comentei inúmeras vezes que moro com o mais adorável ser herbívoro da face da Terra: mamãe. Minha mãe é uma das vegetarianas mais legais que eu já tive o prazer de conviver! Modéstia a parte porque ela é a minha mãe, já conheci alguns realmente chatos complicados. Não julgo a filosofia/escolha de vida, até porque acredito que cada um deve seguir o que bem entender. Mas, parto do princípio que tudo que é radical ou extremo demais, torna uma pessoa... Chata. Resumindo, Veroquinha não é crica implicante como uns e outros, o que torna ainda mais prazeroso o momento em que procuro cozinhar exclusivamente para ela. Final de semana passado, ela me pediu para assumir as panelas. O pedido calhou com o momento perfeito para agradá-la e, de quebra, colocar em prática uma receitinha daquelas: Penne com Cebola Caramelizada e Rúcula Crua.


As vezes eu acho que é pura implicância chatice minha, mas conversando com algumas pessoas percebo que eu não sou a única que tem achado os alimentos cada vez mais sem graça. Quando eu era pequena, lembro que as frutas, os legumes e as verduras tinham cores vibrantes e muito sabor. Hoje em dia, acho tudo meio aguado e bem mais ou menos #culpadostransgênicos. No dia anterior ao preparo, ao definir que usaria rúcula crua no prato, me programei para acordar bem cedo no dia seguinte para ir à feira. Ali, com certeza, eu iria achar uma rúcula vistosa, verde e saborosa amarguinha do jeito que eu gosto.



Para você que está lendo e acha que acordar cedo é um sacrifício, você está corretíssimo. Agora, se você acha que é um sacrifício acordar cedo para ir à feira, você está estupidamente enganado. Eu amo ir à feira! Acho incrível andar por meio daquele caos milimetricamente desorganizado. Passear por meio das barracas vendo cores, formatos, e sentindo diferentes cheiros, faz das compras um passeio delicioso. Até porque, na maioria das vezes, esse passeio acaba com pastel e caldo de cana há!


Fiz a receita mais por curiosidade do que por vontade. No final das contas, eu queria descobrir se o método de cocção era bom e se o prato ficava tão gostoso assim como diziam. Sabe quando você fica com aquela pulga atrás da orelha? Quando a certeza de que vai ficar ruim supera a de que vai ficar bom? Vamos lá, macarrão cozido no caldo de legumes com cebola não é lá muito convincente. Mas, como eu sou curiosa e teimosa, testei. E quer saber? Di-vi-no. Só a aparência da massa já fica maravilhosa! Por conta da cebola caramelizada, o macarrão adquire uma tonalidade marrom bem apetitosa! Além disso, o gosto da cebola fica adocicado e não forte, deixando a massa bem saborosa. Para melhorar ainda mais, devido a cocção feita no próprio caldo de legumes,  a massa fica molhadinha e suculenta. 



Desencana dessa ideia de que todo prato precisa ter carne, e vem comigo!

Para 4 pessoas:
  • 1 pacote de macarrão do tipo penne (se não tiver, pode ser outra massa curta)
  • 4 cebola grandes
  • 1 maço de rúcula
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 2 xícaras de chá de água
  • 3 xícaras de chá de caldo de legumes
  • Parmesão ralado
  • Sal a gosto
  • Pimenta do reino a gosto

Lave a rúcula em água corrente, certificando-se de que não há terra, sujeira ou algum bichinho entre as folhas. Divida em duas ou três partes.

Corte a cebola pela metade e em seguida em fatias/meia lua. Procure cortá-la de forma uniforme, sem deixar as fatias muito finas ou muito grossas, mantendo uma espessura padrão. Reserve.


Esquente a água e o caldo de legumes separados. Quando ambos estiverem quentes, desligue e tampe ou abaixe o fogo completamente. O importante é deixar os líquidos aquecidos.

Em uma panela, derreta a manteiga. Quando ela tiver derretido completamente, comece a refogar a cebola. Abaixe o fogo, tempere com um pouco de pimenta do reino e refogue devagar. A cebola deverá murchar e mudar de tonalidade aos poucos. De branca, ela passará para transparente, de transparente para marrom claro e assim em diante, até adquirir uma cor marrom mais escuro. Preste atenção, ela não deve queimar muito. O objetivo é caramelizar levemente e depois tostar delicadamente a cebola - não queremos gosto de queimado.






Em seguida, adicione a água e o caldo de legumes. Com a ajuda de uma panela de pau, misture a cebola de modo com que o "queimado" no fundo da panela se desprenda e incorpore no caldo. Coloque a massa no caldo, aumente o fogo para médio/alto e deixe o macarrão cozinhar conforme as instruções. Como eu uso massa grano duro, demora cerca de 9-12 minutos para deixar a massa cozida e al dente. A água começará a secar e é normal. Se ela secar rápido demais, adicione mais um pouco de água morna. Só tome cuidado para não colocar água demais e deixar a massa mole.





Quando a massa estiver pronta, desligue o fogo. Pique grosseiramente com as mãos as folhas e misture a quantidade que for do seu agrado (eu misturei metade). Acerte o sal e a pimenta do reino.


Finalize o prato com folhas inteiras por cima e com parmesão ralado.

Dica: se você acha rúcula uma folha muito amarga, reduza a quantidade utilizada.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller

17 de março de 2015

Meatloaf brasileiro: Bolo de Carne com Batatas e Cebolas Assadas


Assim como acontece em qualquer cultura do mundo, cada país tem os seus pratos típicos e receitas tradicionais. Por exemplo, nem só de hambúrguer e pizza vivem os americanos ju-ro. Já falei sobre as lindas panquecas, a torta de maçã (apple pie) e hoje, o assunto é bem de dona de casa: meatloaf, ou simplesmente, bolo de carne. Minha mãe não é americana e eu não moro nos Estados Unidos, mas por incrível que pareça, esse é um daqueles pratos tradicionais dos nossos almoços de domingo. Ah! E por aqui, em casa no caso, ele é simplesmente o “bolo de carne da mamãe”.

Quem conhece um pouco a cultura culinária americana, sabe que esse é um daqueles pratos que toda mãe sabe fazer. Pode até parecer brincadeira, mas cada uma possui a própria receita secreta e, dificilmente compartilham os segredos do "bom preparo" umas com as outras. Preparar um bom meatloaf, é sinônimo de puro orgulho para as matriarcas americanas. As vezes, apesar de não concordar com isso, eu tenho a leve sensação de que elas enxergam o meatloaf como uma extensão do tempo dedicado à família: quanto melhor ele for, mais cuidado ela demonstra ter.


Definitivamente, de todos os pratos que a minha mãe Veroquinha prepara, esse não é o meu predileto. Mas eu sou a exceção, o meu pai e o meu irmão adoram. Inclusive, quando tem, o meu irmão é o primeiro a garantir uma marmitinha para ele levar embora. O que eu acho bacana nesse prato é que ele é super completo: tem carne (proteína), batata (carboidrato) e cebola (um legume rico em vitaminas). Ou seja, é um prato único e sem a necessidade de acompanhamentos. Claro que esse pensamento não inclui meu pai e meu irmão ogros que nunca dispensam um arroz branquinho para acompanhar. 

Outro ponto legal desse prato é que ele é ridiculamente fácil de fazer: além dos ingredientes comuns encontrados em qualquer supermercado, o preparo em si não tem nada demais. Uma massa de carne moída temperada que vai direto para forno. Quer coisa mais simples?



Entendeu que não precisa perder tempo? Então chega de jogar conversa fora e vem comigo!

Para 6 pessoas:
  • 1kg de carne moída (uso o coxão mole)
  • 1 ovo
  • ⅔ de xícara de chá de farinha de rosca
  • ½ cebola bem picada
  • 2 dentes de alho amassados
  • 1 colher de chá de pimenta Tabasco (de café se você não for fã de pimenta)
  • 150g de bacon
  • ¼ xícara de chá de água
  • Sal a gosto
Para os acompanhamentos:
  • 9 batatas
  • 5 cebolas grandes
Pré-cozinhe as batatas em uma panela com água por aproximadamente 20 minutos até elas ficarem levemente macias. É importante que ela não cozinhe inteira porque depois vamos levá-las ao forno, ok? É só uma pré-cozida mesmo. Depois de pronta, descasque e corte em três ou quatro pedaços. Reserve.

Em um bowl, junte a carne moída com a cebola bem picadinha e com os dentes de alho amassados.


Em seguida adicione a farinha de rosca.


Por último, acrescente um ovo batido, a pimenta Tabasco e um pouco de sal (algo em torno de 2 colheres de chá rasas - tudo depende da sua preferência). Misture até formar uma massa de carne bem homogênea.





Forre uma forma com papel alumínio e molde um bolo de carne bem ao centro. Disponha as batatas e as cebolas cortadas em quatro partes.


Para a finalização, derrame a água filtrada nas laterais da forma para que a carne a as batatas não grudem. Salpique o bacon (eu gosto de picar em cubos, mas você pode fazer em tiras se achar melhor) por cima do bolo de carne. Regue sem exageros as batas, as cebolas e o bolo com azeite. Finalize salpicando sal nas batatas e nas cebolas.


Ligue o forno à 200º (não precisa pré-aquecer), cubra com um pedaço de papel alumínio apenas a carne (sem preciosismo) para que ela não seque. Asse por 30 minutos. Retire o papel e asse por mais 10 minutos. Se o seu forno tiver um grill, ligue para tostar levemente o bacon e as batatas.

Dica: aqui em casa nós gostamos de adicionar molho inglês na carna já assada, fica muito bom!

Bon Appétit!

Bisous,
Mariana Muller

11 de junho de 2014

Domingo: Frango Assado com Mostarda Dijon e Batata Doce Sauté


Eu não sei vocês (de outra cidade), mas o paulistano tem uma tradição que é clássica dos domingos: comer frango assado. Isso mesmo, frango assado igual aqueles de desenho animado, que ficam rodando, rodando e rodando. Na porta da padaria, do restaurante ou de alguma rotissêrie. Na compra de um frango, normalmente vem o acompanhamento básico sensacional: polenta frita e farofa. Quando não, muitas famílias optam pelo bom e velho macarrão ao sugo.

Aqui em casa, não é diferente. Desde pequena lembro de comer pelo menos dois domingos ao mês frango assado. Minha avó por parte de pai amava esse tipo de ritual. Não é novidade que isso foi passado ao meu pai. E aos domingo, quando não saímos para comer fora ou estamos sem ideia do que preparar, ele sugere quase que prontamente o franguinho assado. E por mais que eu sempre torça o nariz, no final das contas, acabo me rendendo quando separam o peito ou a sobrecoxa.




Esse domingo, não foi diferente. Meu pai passou a semana toda falando sobre uma rotissêrie que tem aqui perto de casa. Indiretamente ele estava dizendo "por que não pegamos um franguinho no final de semana?". Pesquei o recado e decidi fazer frango, mas de um modo diferente. Primeiro sem pele, porque né, muito mais saudável eu tenho nojo da pele. Segundo porque eu estava louca para tentar uma nova marinada mas ainda não tinha achado uma desculpa convincente.




Para o acompanhamento, ao invés de polenta, eu optei por uma batata doce assada. Mas batata doce assada não tem muita graça sozinha, então coloquei bacon e cebola para dar um gostinho mais especial. Ficou um prato bem interessante tendo em vista o sabor cítrico da marinada contrapondo com o doce da batata. Aprovadíssimo!





Vem comigo!

Para 4 pessoas:
  • 4 peitos de frango limpos, sem pele e desossados (1kg)
  • 3 colheres de sopa de mostarda de Dijon cheias
  • 2 limões taiti + raspa de um deles
  • 2 colheres de chá de chimichurri
  • 3 batatas doces médias
  • 6 fatias de bacon
  • 1 cebola pequena
  • Q/N de azeite extra virgem
  • Q/N de sal

Comece pela marinada. Na noite anterior ao preparo, limpe os filés de frango e reserve. Em um bowl, misture a mostarda Dijon, o chimichurri, o sucos e as raspas dos limões e o azeite (algo em torno de 5 ou 6 colheres de sopa). Misture bem e, se necessário, acerte o sal.




Coloque os pedaços de frango dentro de um saquinho (desses de supermercado), fure os peitos com um garfo e jogue a marinada por cima. Feche o saquinho, chacoalhe delicadamente (para misturar), leve a geladeira dentro de um bowl e deixe até o dia seguinte.





No dia seguinte... Pré aqueça o forno a 200º.

Descasque as batatas doces e corte em cubinhos. Em um bowl, misture com azeite e um pouco de sal. Espalhe em uma assadeira e leve para assar por cerca de 10 minutos. Como varia muito de forno para forno, você saberá que a batata está boa quando ela estiver macia mas não desmanchando (espete um garfo para saber).







Enquanto a batata assa, corte os bacon em cubos (não muito pequenos) e a cebola em pétalas. Em uma panela frite o bacon, em seguida adicione a cebola e misture até ela murchar. Desligue e reserve.







Quando a batata doce estiver boa, retire do forno, adicione ao refogado de bacon com cebola e termine de cozinhá-la na panela. Se houver necessidade, adicione mais um pouco de azeite. Cuidado para a batata não passar do ponto e ficar muito molenga.




À 220º, disponha os peitos do frango com o molho da marinada em um pirex e leve ao forno coberto com um papel alumínio por 20 minutos.



Retire o papel alumínio, regue o frango com o próprio molho e, deixe cozinhar até o molho reduzir e a carne ficar bem tenra.




Se quiser, ligue o grill do seu forno nos últimos 5 minutos para dar uma corzinha ao frango.

Dica: a marinada é bem azedinha, então, se não gostar de molhos muito cítricos coloque apenas um limão.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller

22 de abril de 2014

O que esperar de um sábado a noite: Pizza de Atum com Cebola e Mussarela


A pizza é um clássico da gastronomia italiana, no entanto, virou símbolo aqui na Terra da Garoa. Já foi evidenciado que São Paulo ocupa o 2º lugar no ranking das cidades que mais consomem pizza no mundo, ficando atrás apenas de Nova York. Em 2013, um levantamento apontou que existem cerca de 8 mil pizzarias na região metropolitana, sendo que 70% delas trabalham apenas com delivery. Atualmente existem cerca de 230 sabores disponíveis, dos mais clássicos, passando pelos criativos e chegando nos gourmets. São consumidas em médias, 800 mil unidades por dia na capital paulista, ou seja, 53% do consumo total brasileiro. Não se convenceu que falar de pizza com paulistano é falar de coisa séria?


Pois bem, faça o teste. Quer saber o que você acha na porta da geladeira de um típico paulistano? Imã com número de telefone de alguma pizzaria da região (isso quando não são vários). É um fato que de todos os rituais que o paulistano tem, o de comer pizza é um dos mais sagrados importantes. Quando ele faz isso? Todo dia Especialmente aos finais de semana. Das 19h as 23h é possível ver um movimento intenso de motoboys nas portarias dos mais diversificados prédios da capital paulista fazendo a felicidade da galera entregando a famosa redonda. Isso sem falar das filas nas portas da mais diversas pizzarias da cidade.


Aqui em casa a coisa não é muito diferente. Comemos pizza pelo menos dois finais de semana por mês. Se nós enjoamos? Jamais. Saborear um belo pedaço de pizza é sempre um prazer imenso.  Isso sem falar do cheiro. Eu - particularmente - acho enlouquecedor entrar no elevador quando uma pessoa está segurando uma pizza que acabou de pegar com o motoboy. É de matar. Você pode ter acabado de comer, vai ficar com vontade mesmo assim.


Por causa dessa nossa paixão, decidi fazer uma pizza no final de semana. Tudo para agradar os meus dois ogrinhos prediletos, no caso, meu pai e meu irmão. Como foi a primeira vez que eu fiz uma pizza, me preocupei mais em acertar a massa. Fiz umas pesquisas e decidi trocar o açúcar pelo mel. Ficou bem interessante e super suave! Em relação ao recheio, fui bem simples: atum, cebola e queijo mussarela. Eu usei o molho de tomate que a minha mãe faz (um dos melhores que eu já provei), porque acho o industrializado muito forte e ácido! Não dá para comparar com uma pizza feita em forno à lenha, mas definitivamente é digna de infinitos repetecos!


Vem comigo!

Para uma pizza:

Massa
  • 1 1/2 xícara de chá de farinha
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 1 xícara de chá de água morna
  • 1 colher de sopa de mel
  • 1 1/2 colher de chá de fermento seco biológico
  • 1 colher de café de sal

Recheio
  • 2 latas de atum
  • 1 cebola média cortada em rodelas
  • 4 xícaras de chá de mussarela ralada (fatiada vai menos)
  • 4 azeitonas pretas (usei as chilenas que são grandes)
  • Q/n de molho de tomate

Comece pela massa. Esquente a água e, adicione o mel e o fermento. Misture bem e deixe descansar por 10 minutos.


Em uma batedeira (utilize a pá para massas pesadas), adicione a farinha, o sal e o azeite. Em velocidade baixa, vá adicionando a mistura de mel e fermento. Deixe bater por uns 10 minutos. Ou então, sove a massa com as mãos (confesso que fiz isso porque comecei a ficar impaciente rs). A massa deve ficar homogênea, elástica e completamente desgrudada das mãos. Com um pano, deixe a massa descansar por 1h em um ambiente quentinho (eu liguei a luz do forno e coloquei ela lá).




Depois de 1h, pré-aqueça o forno à 180º.

Em uma superficie enfarinhada, abra a massa com a ajuda de um rolo. Faça o formato que lhe agradar (eu fiz uma retangular). Unte com um pouquinho de azeite a assadeira e disponha a massa.



Asse apenas a massa por 10 minutos. Retire do forno.


Com a massa pré-assada, faça uma camada de molho, uma de atum e outra de cebolas. Cubra completamente com o queijo. Corte as azeitonas pela metade e disponha pela pizza. Volte para o forno e asse por 20 minutos, ou até o queijo derreter completamente e as bordas ficarem moreninhas.




Dica: não faça uma massa muito fina para ela não correr o risco de ficar seca e crocante demais.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller