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11 de agosto de 2015

Coringa: Estrogonofe de Frango


Para o meu espanto, o post da semana passada fez mais sucesso do que o esperado. Nunca achei que a "comidinha do dia a dia" teria grande saída por aqui. Acontece que, depois do Arroz Sete Grãos com Legumes, percebi que talvez esse seja um bom momento para introduzir os preparos coringas ideais para a correria do nosso cotidiano. Prestando atenção justamente no que é básico, me dei conta de que nem todas as pessoas tem essa base necessária. Seguindo essa proposta, a receita de hoje é uma velha conhecida de todos nós! Ela é carta marcada em restaurantes por quilo, cantinas escolares, casa da mãe, viagens em turmas e assim em diante: Estrogonofe de Frango.

Eu não sei se vocês sabem, mas o estrogonofe não é um prato brasileiro e sim, russo. As lendas que giram em torno do prato são inúmeras: já atribuiram o prato à um Czar, ao cozinheiro de um Czar, à um homem - que pode ser general ou diplomata - chamado Stroganov e até mesmo a palavra "strogat" que significa "cortar em pedaços". Por incrível que pareça, cada história é muito interessante, então fica bem difícil escolher uma para contar. A única certeza que temos, é que o estrogonofe que comemos hoje, passou por inúmeras modificações. Ele começou sendo um prato de carne em cubos ao molho de mostarda e cebolas, depois adicionaram o champignon, em seguida o creme de leite, o ketchup e a páprica. Quando trouxe a versão vegetariana com cogumelos sortidos, falei um pouco sobre como ele era visto no País quando desembarcou nas cozinhas refinadas da época.



De acordo com o Larousse Gastronomique, para um estrogonofe ser considerado honrável, são quatro as principais regras: ingredientes de qualidade, o creme de leite não deve ser fervido de forma alguma, um toque pessoal é sempre essencial - seja ele qual for - e, além do arroz branco, nenhum outro acompanhamento é aceitável. O que eu acho disso tudo? Algumas coisas boas, outras bolshitagem pura.

Concordo plenamente com o fato de usar ingredientes de qualidade e não ferver o creme de leite já que ele talha. No entanto, acredito que um clássico possa ser mudado quando estamos falando de gosto pessoal e praticidade. Por exemplo, adoro cogumelos frescos, mas quando tenho apenas os industrializados, tento dar um jeito com eles mesmo. Como não gosto de estrogonofe de carne vermelha, sempre faço a troca pela carne de frango. Além disso, por incrível que pareça, prefiro usar ketchup ao molho de tomate por ele dar um sabor mais ácido e agressivo. Isso sem falar na batata palha, acompanhamento proibido indispensável.


Eu sigo algumas receitas, mas assim como o Larousse Gastronomique, acho que o toque pessoal é válido em qualquer momento. Se você acha que um ingrediente fica melhor que o indicado, que a ordem do preparo deve ser outra (desde que não altere o produto final), ou que um terceiro tempero vai levar o seu prato a outro nível, super apoio e indico a mudança.




Batata palha separada, condimentos escolhidos e vem comigo!

Para 6 pessoas:
  • 800g de cubos de frango
  • ¼ de xícara de chá de conhaque
  • 3 colheres de sopa de ketchup
  • 2 colheres de sopa de mostarda
  • 1 colher de café de páprica doce
  • 1 colher de café de páprica picante
  • 200g de creme de leite (uma caixinha)
  • 1L de leite integral
  • 2 colheres de sopa de manteiga (elas serão usadas separadas)
  • 3 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 1 xícara de cogumelos
  • 1 dente de alho
  • Q/N de óleo
  • Sal a gosto
Se você usar cogumelos frescos, limpe-os com um papel toalha úmido para não encharcá-los. Se usar os industrializados, coloque-os em uma peneira e lave bastante sobre água corrente para tirar os conservantes e o gosto forte. Em seguida, fatie cada cogumelo em três ou quatro pedaços. Esprema um dente de alho em uma frigideira quente com um fio de óleo, e derreta uma colher de manteiga. Em seguida, refogue bem os cogumelos fatiados até eles adquirirem uma coloração diferente. Desligue o fogo e reserve.





Compre o frango já em filés para cortar os cubos. Em seguida, coloque um fio de óleo em uma panela já quente, e refogue os cubos de frango até eles ficarem cozidos. É importante secar toda a água que sairá da carne. Se o frango ficar úmido, você não conseguirá flambar.



Em seguida, abaixe o fogo, derrame o conhaque sobre a carne e "acenda a bebida". Como eu tenho um pouco de receio em fazer isso diretamente na concha ou com um palito de fósforo, queimo a pontinha do hashi (palitinho japonês), e com a chama formada coloco na carne embebecida de conhaque. ATENÇÃO! NUNCA deixe a garrafa de bebida aberta perto do fogão ou  acrescente mais bebida enquanto a chama ainda estiver ardendo para que não causar uma explosão, ok? Deixe a chama se apagar sozinha, pois, só assim a bebida queimará por completo. Mexa a carne flambada com uma colher de pau ou fazendo movimentos circulares com a própria panela para não deixar o frango queimar. Com a carne já flambada, desligue o fogo e reserve.


Prepare uma mistura com o ketchup, a mostarda, a páprica doce e a picante. Misture bem. Coloque duas colheres de leite para que ela fique mais rala e, quando for adicionada ao molho, seja incorporada facilmente. Reserve.



Em uma outra panela, derreta uma colher de sopa de manteiga, junte a farinha de trigo e misture até formar uma massa dourada. Em seguida, pegue um fouet e, derramando leite aos poucos, misture vigorosamente para evitar a formação de grumos. Se achar mais fácil, retire a panela do fogo, coloque um fio de leite e fique mexendo até dissolver toda a massa. Volte a panela para o fogo, derrame o resto do leite e cozinhe até formar um creme espesso. Coloque a mistura de condimentos e mexa bem.





Em seguida, adicione o frango reservado. Depois, acrescente os cogumelos refogados.



Desligue o fogo e misture o creme de leite. Se houver necessidade, acerte o sal.


Dica: se você não tiver conhaque, flambe o frango com vinho branco seco que o gosto também fica uma delícia!

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller

29 de julho de 2015

Italia mia: Polenta Cremosa Trufada com Ragú de Cogumelos


Polenta é uma daquelas coisas que sempre fez parte da minha vida. Durante boa parte da minha infância, para jantares rápidos, minha mãe costumava fazer polenta cremosa com um molho bolonhesa por cima. Já na casa da minha avó, onde tudo era permitido mais gostoso, nós aproveitávamos para comer polenta frita. Apesar dos dois preparos diferentes, a base das receitas sempre foi a mesma: fubá. Passei a minha vida inteira achando que essa era a única forma correta de se fazer polenta, até aprender que a receita tradicional italiana pedia farinha de milho como base. Curiosa, esse foi um ótimo pretexto para descobrir se o gosto ficava parecido ou não. Preparem as panelas, que hoje é dia de Polenta Cremosa Trufada com Ragú de Cogumelos.



A polenta é um daqueles pratos consumidos em todas as regiões da Itália. Claro que existem alterações: uns comem com ragú de carne, outros preferem carne de caça, uns gostam dela mais firme ou mais cremosa, e por aí vai. Esse alimento é mais antigo do que podemos imaginar! Era uma das bases alimentares oferecidas aos legionários romanos: barata, fácil de preparar e sustentava para longas batalhas. Depois de ser um prato de soldados, ela ganhou fama de ser o sustento daqueles que não podiam pagar por algo melhor: os camponeses e os mais pobres. Foram necessários séculos até a polenta receber o seu devido reconhecimento. Os mais tradicionais, lentamente incorporaram a polenta à cultura italiana e, com muita insistência, fizeram com que ela ganhasse um lugar especial em meio aos outros pratos clássicos

O que eu aprecio em um bom prato de polenta é que ele cumpre o seu papel com muita maestria. Essa é uma daquelas comidas que não precisam de muitas técnicas e nem de ingredientes muito caros. Ela por si só, com toda a sua simplicidade, consegue agradar os mais diferentes paladares e harmonizar com diversos tipos de alimentos. Pode até parecer exagero, mas uma polenta cremosa bem feita, pode ser imbatível. Pensando bem, talvez a definição de "comfort food", devesse ser apenas "polenta". 


Depois do fantástico ragú de linguiça que eu fiz, fiquei devendo uma versão vegetariana para a minha mãe. Para os desentendidos, além das carnes, a polenta também harmoniza super bem com cogumelos. Não fique receoso em relação ao gosto final! Essa é uma daquelas combinações que provam que comida vegetariana tem muito sabor e graça.

Para finalizar a polenta, é necessário obrigatório colocar uma boa colherada de manteiga. Há uns meses atrás, eu comprei um vidrinho de manteiga trufada e estava esperando o momento certo para usar. Como o gosto da trufa ou de qualquer produto que leve a mesma tem um gosto muito marcante, gosto de usar esse ingrediente de forma pensada. Vi nessa receita e no sabor neutro da polenta, uma ótima chance para abrir o meu vidrinho! Para o meu paladar, a combinação foi fantástica! A manteiga deu um toque super especial à polenta, sem deixar com que ela perdesse o aspecto rústico e a proposta de ser uma comfort food daquelas!



Fouets à mão, e vem comigo!

Para 4 pessoas:

Para o ragú de cogumelos
  • 300g de cogumelos (faça um mix ou utilize o que achar mais gostoso)
  • ½ xícara de vinho branco seco
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • ½ cebola picada
  • 1 dente de alho amassado
  • 3 colheres de sopa de creme de leite
  • ½ xícara de salsinha picada
  • Sal a gosto
  • Pimenta do reino a gosto
Para a polenta cremosa
  • 1½  xícara de farinha de milho
  • 1L de água
  • 2 folhas de louro
  • 5 colheres de sopa de queijo parmesão ralado
  • 2 colheres de chá de manteiga trufada
  • Sal a gosto
Comece pelo ragú de cogumelos. Não lave os cogumelos porque eles absorvem muita água e ficam molengas, limpe-os com um papel toalha úmido ou uma escovinha. Corte os cabinhos, pique e reserve.



Pique a cebola bem miudinha e amasse o dente de alho. Em uma panela, derreta a manteiga e refogue a cebola picada e o dente de alho amassado por cerca de três minutos. É importante fazer com que a cebola fique transparente e murcha.



Adicione os cogumelos e mexa. O processo é super rápido. Se possível, não deixe o cogumelo mole demais já que a polenta será cremosa. Adicione o vinho branco e deixe ele evaporar.



Quando os cogumelos estiverem cozidos, desligue o fogo. Acrescente o creme de leite e a salsinha picada. Mexa bem. Acerte o sal e a pimenta do reino. Reserve.


Em seguida, passe para a polenta. Esquente a água com duas folhas de louro. É importante você não deixar ela ferver completamente, pois, isso pode atrapalhar na hora de colocar a farinha de milho. Quando começarem a surgir pequenas bolhas no fundo da panela, significa que a temperatura está boa para iniciar o processo.

Com um fouet, despeje a farinha de milho e mexa vigorosamente para não empelotar. Mexa nos dois sentidos, assim você pode sentir caso encontre um grumo ou algo grudado no fundo da panela. Mexa com o fouet até a farinha estar completamente dissolvida na água. Se quiser uma polenta mais grossa, adicione um pouco mais de farinha. Só tome cuidado porque a mistura engrossa com o passar do preparo, ok? Abaixe o fogo, pegue uma colher/espátula e fique mexendo por aproximadamente 15 ou 20 minutos. Fique de olho para a polenta não queimar.



Quando ela estiver cozida, adicione o queijo ralado e mexa.


Desligue o fogo e finalize com a manteiga trufada. Se houver necessidade, acerte o sal.

Para montagem, faça uma cama de polenta cremosa e coloque o ragú de cogumelos no centro. Se puder, finalize com um fio de azeite trufado.

Dicas: a polenta cremosa também fica divina com um bom molho bolonhesa ou com um ragú de linguiça. Ela pode ser tanto um prato principal, bem como uma excelente entrada.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller

15 de janeiro de 2014

Já entrou no TOP 5 de 2014: Estrogonofe de Cogumelos!



Você que sempre foi acostumado a comer ESTROGONOFE, com arroz branco e batata palha e SEMPRE achou o prato mais comum de todos, está redondamente enganado. Saiba que aqui no Brasil, lá no final da década de 70 e durante os anos 80, quem queria ser chique servia STROGONOFF  aos convidados - e isso valia para os jantares mais requintados até as super festas!

Aí, como toda comida que um dia já foi chique, hoje é brega. Assim como o tomate seco, o salmão, a alface americana, o carpaccio, gelatina colorida (sim, chocante né?) e outros muitos pratos/comidas, o STROGONOFF caiu nas graças do povo. Resultado? Nem o nome se salvou, abrasileiraram o querido STROGONOFF para o ESTROGONOFE. E repare, hoje o estrogonofe marca presença apenas em menus mais "simples", bem comida do dia-a-dia.

Morena Leite, chef do restaurante Capim Santo inovou e sambou na cara de muita gente fresca. Ela simplesmente pegou o brega estrogonofe e deu um banho de modernidade no mesmo. Começou trocando a carne por cogumelos (shitake, paris e shimeji), depois dispensou o creme de leite e colocou coalhada seca e simplesmente limou a batata palha, dando espaço para os chips de batata-doce.

Pronto, salivei loucamente. Resultado? Uma ida ao supermercado, três bandejas de diferentes tipos de cogumelos e duas batatas-doce. De quebra um desvio até uma casa árabe.

Beijos, o ESTROGONOFE de cogumelos entrou na minha lista dos TOP 5 de 2014. E olha que o ano nem começou direito!

Para 4 pessoas:
  • 1 bandeja de cogumelo paris fresco
  • 1 bandeja de shimeji fresco
  • 1 bandeja de shitake fresco
  • 1/2 cebola picada
  • 1 dente de alho amassado
  • 2 colheres de sopa de vinho branco (o que tiver na geladeira. Como diria a minha mãe "um bem baratinho")
  • 1 tomate picado
  • 200g de coalhada seca (se não gostar do azedinho, fique com o convencional creme de leite) 
  • 1 colher de sopa de mostarda de dijon (sempre de boa qualidade. Uso e abuso da Maille)
  • 1 colher de sopa de ketchup
  • 1 colher de café de páprica picante
  • 2 conchas de caldo de legumes
  • Azeite
  • Sal e pimenta do reino a gosto

NÃO lave os cogumelos, passe apenas um paninho umedecido. Quando os cogumelos entram em contato com água eles agem como esponjas e sugam muito líquido. Na hora de cozinhar é um horror. Depois de limpar e tirar qualquer resíduo de terra que possa ter, retire os cabinhos (apenas do shitake) e corte em fatias. Separe.

Pique a cebola, o tomate e amasse o alho. Reserve.

Em um frigideira quente, coloque um fio de azeite e comece refogando a cebola. Quando ela estiver ficando transparente, adicione o alho. Não deixe o alho queimar, ok? Adicione todos os cogumelos fatiados e refogue rapidamente. Jogue o vinho branco e continue mexendo. Acrescente o tomate picado e continue refogando. Misture a mostarda, o ketchup e a páprica. Em seguida, coloque a coalhada seca e mexa bem. Acrescente as duas conchas de caldo de legumes Acerte o sal e adicione pimenta do reino se quiser. 

Para os chips de batata-doce:
  • 2 batatas-doce 
  • Azeite
  • Sal


Pré-aqueça o forno a 180º.

Lave bem a batata-doce, pois, os chips serão feitos com a casca. Com a ajuda de um mandolin (= fatiador de legumes), corte FINAS rodelas de batata-doce. Gente, tem que ser FINA mesma, caso contrário a fatia não ficará crocante e não poderemos chamar o prato de CHIPS. Ok?

Em uma assadeira, disponha as rodelinhas lado a lado. Com a ajuda de um pincel, molhe todas as rodelas com azeite (não precisa lambuzar). Polvilhe com sal e coloque para assar por aproximadamente 30 a 40 minutos.

Retire do forno quando elas estiverem douradas e espere uns 5 minutos antes de servir, assim elas ficarão crocantes.

Sirva com arroz branco, integral, selvagem, vermelho. Isso fica a sua escolha! 

Bon Appétit!

Bisous,
Mariana Muller