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16 de setembro de 2015

Das arábias: Homus (pasta de grão de bico)


No começo da semana eu falei um pouco sobre o falafel, estão lembrados? O que eu não contei para vocês, é que no dia em que preparei o sanduíche também aproveitei para fazer outros pratos árabes. O motivo: um surto psicótico eu ofereci um almoço temático para a minha família. Antes de falar sobre qualquer receita, existem alguns elementos que são a base para qualquer refeição árabe: as pastas que servem como acompanhamento. A receita de hoje é sobre a minha predileta: o homus.

O homus, também chamado de hummus, é conhecido e apreciado por todo Oriente Médio. Ele faz parte da famosa tríade de pastas que leva obrigatoriamente o labneh (coalhada seca) e o babaganuch (pasta de berinjela defumada). Justamente pela sua popularidade em diferentes culturas, são muitas as pessoas que brigam pela sua invenção. Judeus, libaneses, palestinos, sírios. Como está presente em diferentes territórios, cada um desses povos se sente no direito de clamar pela sua autoria. Se serve de dica: não entre nessa discussão, deixe que os grandes se entendam. Preocupe-se apenas em se deleitar com o sabor único do homus.
O que me encanta no homus é que apesar de toda aura clássica que gira em torno do prato, ele pode ser sim muito versátil. O homus é o tipo de pasta que pode ir além da cozinha árabe, para aterrissar tranquilamente na gastronomia ocidental. A pasta tem um sabor característico e marcante, no entanto, tem uma capacidade incrível de se misturar e até mesmo complementar outros sabores. Ele ultrapassa a fronteira, servindo como acompanhamento de legumes, carnes/aves/peixes grelhados, recheio de sanduíches, e assim em diante.

Acha que é difícil? Ou que a melhor saída é procurar uma casa árabe e comprar pronto? Pode ficar bem tranquilo! Essa é uma daquelas receitas extremamente fáceis e simples de serem feitas – isso sem falar do baixo valor envolvido. São apenas quatro ingredientes: grão de bico, tahine (pasta de gergelim), suco de limão e alho. Algumas pessoas gostam de uma pasta granulosa, com mais textura, mas você deve saber que ela deve ser uniforme e aveludada. Além disso, o alho, o limão e o tahine devem se fazer presentes de forma equilibrada. O gosto a ser sentido deve ressaltar todos os (poucos) elementos presentes em sua composição. Definitivamente, não existe segredo.


Separe um bom pedaço de pão-sírio, e vem comigo!


Para uma porção (farta) de homus:
  • 250g de grão-de-bico
  • 2 colheres de sopa de tahine
  • 3 dentes de alho
  • Suco de um limão
  • Q/N água do cozimento
  • Sal a gosto
Comece pelo grão de bico. Passe o grão de bico cru por água corrente e deixe de molho na noite anterior ao preparo. No dia seguinte, escorra a água e lave novamente. Em uma panela, cozinhe os grãos de bico até eles amolecerem completamente. É muito provável que suba uma espuma quando a água ferver. Retire o que conseguir com uma escumadeira, ok? Como o grão já estava bem molinho a hora que foi para a panela, o processo de cozimento durou cerca de 20 minutos. Escorra o grão, mas lembre-se de reservar a água do cozimento.



Aqui você pode fazer duas escolhas: bater com ou sem casca. Eu não me incomodo com as cascas e acho que ela não altera o sabor. Se você quiser, descasque todos os grãos antes de processá-los. Em um liquidificador ou processador, junte o grão de bico cozido com meia xícara de água do cozimento - nesse momento, não há necessidade de alcançar uma consistência extremamente pastosa já que queremos apenas iniciar a trituração dos grãos.


Incorpore o alho picado, o tahine e o suco de limão. Bata até formar uma pasta homogênea e sedosa. Controle a textura com a água - se quiser uma pasta consistente adicione menos água, ou o contrário se quiser uma mais "rala".


Ao final, acerte o sal. Se sentir a falta de algum outro elemento (alho, tahine ou limão), volte a pasta para o liquidificador e acerte o gosto. Sirva com azeite.

Dica: o homus dura na geladeira por até 5 dias.

Bon Appétit!

Bisous,
Mariana Muller

14 de setembro de 2015

Do Marais para a Vila Mariana: Sanduíche de Falafel (bolinho de grão-de-bico)


São várias as coisas que marcam uma viagem: um lugar, uma situação, uma comida, uma experiência, e assim por diante. Quando faço uma viagem, procuro aproveitá-la ao máximo. Não me enquadro no perfil do turista comum, ou seja, aquele que não explora e se contenta apenas com os passeios indicados nos guias. Eu gosto de ir além das atrações turísticas, adoro conhecer à fundo o lugar que estou visitando mesmo que isso signifique sair da rota ou me dar mal de vez em quando. Acho incrível me embrenhar pelas ruas, descobrir restaurantes, galerias e ver de perto o cotidiano de uma cidade nova. Por sorte, a maioria das pessoas que viajam comigo também são assim. E foi durante um desses passeios despretensiosos que eu descobri o Sanduíche de Falafel.


Em 2003, por causa do meu irmão, conheci o L'As du Falafel. Ele já estava em Paris há alguns meses e, durante a nossa estadia, foi o nosso guia. Claro que visitamos a Tour Eiffel, subimos no L'Arc de Triomphe, andamos pela Champs-Élysées, visitamos o Louvre e todos os demais pontos obrigatórios para aqueles que conhecem a cidade pela primeira vez. Mas, tínhamos sorte de termos um guia que já havia explorado um pouco mais da Cidade-Luz. Que, aos poucos, estava conhecendo a Paris dos parisienses, e não a dos turistas.


Durante um dos nossos passeios, meu irmão sugeriu que fossemos conhecer o Marais. Para quem não conhece, o bairro histórico ficou conhecido porque era habitado pela alta nobreza parisiense. Hoje, além de ser considerado o bairro judeu de Paris, também é visto como uma região extremamente dinâmica pela infinidade de coisas para fazer e comer. Enfim, durante as nossas andanças, meu irmão parou nos levou até a Rue des Rosiers, parou em frente a uma portinha e disse: "É aqui que vamos almoçar. Hoje é dia de provar o melhor sanduíche de falafel". Resolvi dar uma conferida e fiquei um pouco desconfiada: haviam três rapazes - frenéticos - distribuindo sanduíches enormes por meio de um balcão minúsculo e bagunçado. Mesmo desconfiada, três coisas me acalmaram: a certeza do meu irmão, a fila gigantesca na rua, e claro, os sanduíches fartos passando pelas mãos alheias. 



Basicamente, falafel é um bolinho à base de grão-de-bico, temperado com vários tipos de condimentos e frito em óleo fervilhante. Ele pode ser servido puro, ou em forma de sanduíche. Vou dizer a mesma coisa que meu irmão me disse há 12 anos atrás: você vai gostar. Lembro que no dia, depois de ter demonstrado desconfiança nojo, escutei um "deixa de ser fresca e pede logo". Ainda bem que deixei a frescura de lado. Sem dúvida, esse sanduíche de falafel virou uma referência gastronômica quando o assunto é comida de rua parisiense. Cada mordida vale a pena. Vale tanto, que desde aquela viagem, adquirimos o hábito de fazer falafel aqui em casa.

Essa é uma daquelas receitas relativamente trabalhosas, mas extremamente fácil e barata. Você só precisa se planejar um pouco antes para colocar a mão na massa, mas tirando isso, não tem muito estresse. Existe uma base simples para rechear o sanduíche, mas lembre-se que você pode colocar o que quiser dentro desde que esteja em harmonia com os demais sabores.



Separe o grão de bico, e vem comigo!

Para 30 bolinhos:

  • 350g de grão de bico
  • 1 e ½ cebolas 
  • 5 dentes de alho
  • 1 xícara de salsinha
  • ½ xícara de hortelã
  • 1 colher de chá de cominho em pó
  • ½ colher de chá de páprica picante
  • 2 colheres de sopa de farinha
  • Sal a gosto
  • Q/N de óleo para fritar
Para o molho:

  • 120g de iogurte integral (um potinho)
  • 15 folhas de hortelã
  • 4 colheres de sopa de azeite
  • Suco de um limão pequeno
  • Sal a gosto
Acompanhamentos:

  • 2 tomates maduros
  • 1 cebola roxa
  • ¼ de repolho (branco ou roxo)
  • 1 pepino japonês (o fininho)
  • Pão sírio médio (preferencialmente o caseiro que é mais gordinho - você encontra em qualquer casa árabe)
Comece pelo grão de bico. Na noite anterior ao preparo, lave o grão de bico em água corrente e deixe ele hidratando em um bowl. Encha de água até cobrir os grãos. No dia seguinte, escorra os grãos e lave novamente.


Pique a cebola e o alho grosseiramente. Da salsinha e da hortelã, retire apenas os cabinhos que estiverem muitos grossos e deixe as folhas inteiras. Como vamos triturar tudo junto, não precisa se preocupar com cortes precisos.



Com a ajuda de um liquidificador ou de um processador, bata o grão de bico crú com a cebola, o alho, a salsinha e o hortelã. ATENÇÃO! Bater grão de bico crú é uma coisa muito chata. Portanto, ao invés de bater tudo de uma vez, divida em partes. Eu, particularmente, divido em quatro porções. A massa tem que ficar bem homogênea, e os grãos bem moídos. 



Com a massa pronta, tempere com cominho, páprica picante e sal. Misture a farinha. Leve a geladeira por 3 horas.


Enquanto a massa firma na geladeira, prepare os acompanhamentos. Pique o tomate, a cebola e o peino em cubinhos. Eu gosto de cortá-los em cubos pequenos, mas aí vai do seu gosto. Pique o repolho o mais fino que conseguir. Reserve.




Em seguida, prepare o molho. Junte o iogurte com o azeite, o suco do limão e as folhas de hortelã. Se você tiver um mixer, será mais fácil. Se não tiver, pique muito bem as folhas, e bata as mistura com um garfo até incorporar bem o azeite ao iogurte. Acerte o sal. Reserve.


Em uma panela, esquente a quantidade óleo que for necessária para fritar os bolinhos. Com a medida de uma colher de sobremesa cheia, faça bolinhas e achate-as delicadamente. Frite até formar uma casquinha crocante por fora. Eu não gosto de fazer bolinhos muito grandes e gordo porque eles não fritam bem, ok? Tire os bolinhos e passe por uma papel toalha para tirar o excesso de óleo.


Em seguida, faça a montagem do seu sanduíche. Abra um pão pela metade, como se fosse um canoa, e monte da seguinte forma: bolinhos de falafel, molho, salada, e finalize com molho.

Dicas: se quiser, pode turbinar o seu sanduíche com kafta ou frango em tiras/cubos. O falafel também pode ser assado se você quiser evitar fritura. O molho de iogurte também pode ser aproveitado para acompanhar outros cortes de carnes e saladas. 

Bon Appétit!

Bisous,
Mariana Muller

10 de fevereiro de 2015

Para dias de calor: Salada de Grão de Bico com Lascas de Bacalhau


Quando nós mudamos de emprego, a história do “comer fora” recomeça. Novamente começamos a explorar todos os restaurantes da região, nomeamos os melhores, selecionamos os “que dão para o gasto” e os “fique longe”. Nos primeiros meses costuma ser uma delícia: comida nova, tempero diferente e receitinhas nunca vistas antes. O problema é que esse encantamento passa e, costuma ser mais rápido do que imaginamos. De repente o tempero novo recebe o nome de azia, o prato que você adora começa a ser lembrado toda tarde, até o ponto crítico em que só de sentir o cheiro o seu estômago embrulha. Se você está se perguntando se eu cheguei nessa última etapa, a resposta é “sim”. Mil vezes sim. Para resolver essa questão, decidi que, em 2015, passo a levar marmita para o trabalho. Para essa primeira experiência, escolhi uma receita que tem tudo a ver com esse calor senegalês que insiste em assolar a cidade de São Paulo: salada de grão de bico com lascas de bacalhau.


Antes de falar sobre a receita, quero discutir sobre a marmita. Pelo que eu notei, a “marmita” voltou as discussões cotidianas e, depois de anos regada, aqui está ela no centro das atenções. Acho que muito em decorrência dessa onda de encontrar o corpo perfeito geração fitness preguiça, cada vez mais as pessoas tem tido interesse em se alimentar de forma mais saudável.

Bom, lá fui eu atrás de uma marmita (recipiente), porque né, ficar levando comida no tupperwear não dá. Rodei a Liberdade até cansar, procurei no Google e, no final das contas, não achei nada que realmente enchesse os meus olhos. Até o dia em que reparei na marmita da minha chefe. Linda, com um espaço bom e material de qualidade. Peguei o nome da marca e fui até a loja: BentôStore. Cheguei na loja pedindo uma marmita e, o vendedor meio sem graça, me corrigiu: “ah, você quer uma lunch box?”. Sério? Até a marmita passou pelo raio gourmetizador? Mas, como até então tinha sido a única que eu realmente havia gostado, eu comprei. E se você quer saber, tirando o preço, não me arrependo.


Agora, falando sobre o que realmente interessa, vamos à salada. Minha mãe ama grão de bico e, vira e mexe, ela compra para fazer em casa. Há alguns anos ela fez essa salada e depois dessa primeira experiência, ela nunca mais repetiu. Sempre conversamos e ela dizia que um dia ia repetir. Acontece que eu esse dia nunca chegou e, se eu quisesse comer de novo, teria que me virar. Para esse prato, não tem necessidade de utilizar as postas. Por ser uma salada toda misturada, as lascas são mais que suficientes. Vamos deixa o lombo do bacalhau para uma receita mais elaborada.


Esse é um daqueles pratos que não precisa de acompanhamento, ele por si só já garante uma refeição completa. Vai muito bem em dias quentes insuportáveis, além de ser uma ótima opção para o jantar. Ah! E perfeita para colocar na sua marmitinha.

Vem comigo!

Para 5 pessoas:
  • 400g de grão de bico
  • 800g de lascas de bacalhau
  • 1 cebola média
  • 1 xícara de chá de salsinha (se quiser, pode misturar com cebolinha)
  • 3 colheres de sopa de vinagre branco (coloque mais se achar fraco)
  • Água para cozinhar o grão de bico e o bacalhau
  • Azeite à gosto (algo em torno de 1 xícara no máximo)
  • Sal e pimenta do reino à gosto 

Antes do preparo, deixe as lascas de bacalhau de molho na água por cerca de 4 horas, trocando a água pelo menos 2 vezes.

Lave o grão de bico, coloque-o na panela de pressão, cubra com água e adicione um pouco de sal. Cozinhe na panela de pressão por 15 minutos(comece a contar depois que ela pegar pressão). Esse tempo pode variar de acordo com cada panela, portanto, se ele ainda estiver duro volte ao fogo e vá testando de 5 em 5 minutos. É importante que ele fique al dente  e não mole, ok? Depois de pronto, escorra e reserve.
Em uma panela, coloque o bacalhau escorrido, cubra com água  e cozinhe até o peixe ficar macio. Cerca de 15-20 minutos. Desligue, escorra e reserve até esfriar. Quando o bacalhau já estiver frio/em temperatura ambiente, comece a desfiá-lo em pedaços generosos. Reserve.




Pique uma cebola em cubinhos bem pequenos e reserve.

Pique a salsinha até completar uma xícara e reserve.
Em uma tigela grande, misture o grão de bico, o bacalhau, a cebola, a salsinha, o azeite e o vinagre. Misture. Acerte o sal e a pimenta do reino.





Dica: se quiser um prato mais picante, corte ½ ou 1 pimenta dedo-de-moça bem picadinha nesse último processo (sem as sementes, ela fica mais “suave”, ok?).

Bon Appétit!

Bisous,
Mariana Muller