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21 de julho de 2014

Final de Semana: Nhoque de Batata com Molho Bolonhesa


Quando minha avó por parte de mãe ainda era viva e ativa, tínhamos uma tradição para o almoço do dia 25 (no caso, o almoço de Natal): comer nhoque com catupiry, frango desfiado e molho rosé. Com certeza aquele era o prato que mais agradava a família. Todos comiam, nem que fosse só um pouquinho. E se não fosse esperto rápido, ficava sem! Não era a toa que ela ficava responsável pela colher, assim se certificava de que todos poderiam experimentar se esbaldar. Inclusive, sempre tive a sensação de que a cada Natal ela aumentava aquela forma de nhoque.


O molho era bom, mas a estrela principal era o nhoque. Na realidade, a massa. Nossa, nunca mais comi um nhoque tão bom como o que a minha avó fazia. Claro que tem todo o peso emocional, a memória afetiva, mas com certeza, posso afirmar que a massa era boa pra valer! Dona Julia não admitia colocar comida “mais ou menos” na mesa, era uma coisa meio relacionada à honra, orgulho. Ela dizia que não, mas todos sabiam que ela ficava super satisfeita quando via as travessas se esvaziarem rapidamente. Sabe como é, coisa de avó.



Enfim, depois que ela morreu ninguém mais na família fez aquele prato. Minha mãe até tentou fazer o molho com um nhoque pronto, mas sabe como é ficou ruim. E então, nunca mais ninguém fez nhoque caseiro. E eu amo nhoque! Logo, tive que resolver do meu próprio jeito. No caso: cozinhando.


O problema é que ninguém tinha a receita, então eu tive que pesquisar. E além de pesquisar, tentar lembrar de algo. De algum detalhe. Eu acompanhei uma produção de nhoque algumas vezes (no caso, uma nhocada), e só conseguia lembrar de duas coisas: assar as batatas ao invés de cozinhá-las e tentar usar pouca farinha para deixar a massa mais leve e saborosa. De resto, tive que me virar.


Primeiro que é importante assar as batatas porque assim elas ficam mais secas e quanto menos água na massa, melhor. Na hora de amassar com a farinha, ela libera o vapor – que nada mais é do que água. Quando cozinhamos as batatas na água, elas acabam absorvendo muito líquido. Quanto mais seca a batata estiver, menos farinha você usará.



Mãos à obra!

Para 5 pessoas:
  • 1kg de batata
  • 1 gema de ovo
  • 100g a 200g de farinha + para enrolar
  • Azeite a gosto
  • Sal a gosto
  • Noz moscada a gosto

Para o molho:
  • 700ml de molho de tomate (de preferência o caseiro)
  • 350g de carne moída
  • 2 colheres de sopa de cebola picada
  • 1 dente de alho 

Pré-aqueça o forna à 180º.

Lave as batatas e seque-as. Com a ajuda de um garfo, fure muito bem cada uma delas. Coloque-as em uma forma e regue com um azeite de boa qualidade. Asse por 1h.



Enquanto isso, prepare o molho. Em uma panela, coloque um fia de azeite e refogue a cebola picada com um dente de alho amassado. Quando a cebola estiver suada e o alho levemente dourado, acrescente e a carne moída e enquanto ela cozinha desfaça os bolinhos de carne. Eu não gosto de carne moída muita seca (acho que perde o gosto), então não deixo a água secar muito. Adicione o molho vermelho caseiro e acerte o sal se houver necessidade. Reserve.





Quando as batatas estiverem no ponto, retire-as do forno e espere esfriar um pouco. Com a ajuda de uma faca, descasque cada uma delas.


Com o espremedor de batatas, esprema cada uma delas. Não deixe a batata esfriar completamente, pois, ela fica dura e depois é difícil de trabalhar com o espremedor, ok?

Adicione uma gema de ovo batida e misture. Rale um pouco de noz moscada (não muito para não deixar a massa amarga). Depois, adicione a farinha aos poucos e vá misturando até a massa ficar lisa e homogênea (como você vai trabalhar com as mãos, ela não deve ficar grudenta). A medida de farinha não é exata, pois, depende muito da batata utilizada.




Enfarinha a bancada com um pouco de farinha e abra "cobrinhas" de massa (grossura de uma dedo gordinho rs). Com uma faca, corte porções de aproximadamente 3cm. Quanto mais grosso for o seu nhoque, mais ele vai demorar para cozinhar. Para não grudarem, coloque-os em um prato/forma enfarinhada.
Prepare um bowl com bastante água gelada.


Aqueça uma panela com água. Aqui é bom prestar bastante atenção! A água deve estar a ponto de levantar fervura, mas deve ferver para não desmanchar os nhoques. Se a água ferver abaixe o fogo, se não tiver jeito, desligue um pouco. Coloque pouco a pouco do nhoque na água quente e quando ele subir/boiar, retire-os da água com uma escumadeira e coloque na água gelada. Isso fará com que ele pare de cozinhar. Em seguida, coloque uma forma/pirex com azeite.





Sirva com molho quente e um pouco de parmesão ralado.

Bon Appétit!

Bisous,
Mariana Muller

17 de junho de 2014

Gostinho defumado: Nhoque de Ricota com Berinjela Defumada e Molho de Tomate


Vocês se lembram daquele hamburguinho de ricota que eu fiz aqui? Minha mãe gostou tanto da experiência que quis repetir a dose. Mas, eu sou aquele tipo de pessoa que não vê muita graça em fazer a mesma receita. O meu negócio é procurar algo novo sempre que possível. Como ela queria muito, eu tive que pensar em uma saída. A primeira mudança foi fazer porções menores, que lembrassem nhoques. A segunda, foi achar um legume legal e saboroso para colocar no meio da massa de ricota. Pensei em abobrinha, claro. Mas ao abrir a geladeira, me deparei com uma das maiores berinjelas que eu já tinha visto na minha vida. Eu TINHA que utilizá-la.


Eu não tenho ideia de onde minha mãe tirou aquela berinjela. Uma pena eu não ter tirado foto, mas se a minha descrição tiver algum valor, eu pensei que fosse transgênica. Ela era TÃO grande e TÃO vistosa, que parecia ter saído de uma produção mega premium. Ela não tinha cara de hortinha orgânica, onde os legumes são menorzinhos e mais feios.


Eu já mostrei aqui como gosto de berinjela, mas tem um porém que eu nunca contei. Dependendo da forma como ela for feita eu não como. Não como porque odeio aquele gosto amargo característico dela e, acho sim que ele estraga muitos pratos. A solução que achei foi de prepará-la como se fosse fazer um babaganush, ou seja, defumá-la na boca do fogão. Tive que partir a berinjela na metade e consequentemente, dividir a metade em duas partes. Sucesso, o gosto ficou ótimo! Deu um toque super especial à ricota que é meio, digamos assim, neutra insossa.



Para o hamburguinho fiz como acompanhamento uma saladinha de tomate. Dessa vez, ao invés do tomate em si, preferi tirar um molho de tomate caseiro que estava congelado. Eu literalmente optei por um nhoque de ricota, com direito a molho ao sugo e tudo que tinha direito! Com o tempinho frio que tem feito esses dias, acho que caiu muito bem!

Vem comigo!

Para 30 nhoques:

  • 350g de ricota 
  • 200g de berinjela
  • 1 xícara de chá de parmesão ralado
  • 1 pitada de noz moscada
  • 1 colher de café de amido de milho (maisena)
  • Q/n de molho de tomate
  • Sal a gosto
  • Azeite a gosto

Lave bem a berinjela, espete-a com um garfo e coloque na boca do fogão. Vá virando aos poucos até sentir que todos os lados foram queimados. Você vai perceber que a pele abre um pouco. Corte em cubinhos (bem pequenos) e reserve.


Amasse a ricota com a ajuda de um garfo, junte o parmesão ralado, a noz moscada e o amido de milho. Misture bem.


Adicione a berinjela picada e misture novamente. Certifique-se de que incorporou bem todos os ingredientes. Se necessário, acerte o sal.




Com a ajuda de uma colher de chá, pegue pequenas porções da massa e molde com as mãos pequenas bolinhas. Achate-as levemente.


Esquente uma frigideira e coloque um fio de azeite. Disponha os nhoques de ricota na frigideira quente e deixe que eles fiquem bem queimadinhos por baixo antes de virá-los. Faça isso com muito cuidado, ok? Como eles são muito delicados, com pouco cuidado você corre o risco de desmanchá-los.


Esquente o molho de tomate e forre um prato com ele. Disponha os nhoques de ricota por cima. Se quiser, salpique um pouco de parmesão por cima.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller

13 de setembro de 2013

Nhoque de batata? Não, nhoque de abóbora.



Adoro nhoque! Podem dizer que é uma comida pesada, massuda e sem gosto, mas quando a gente gosta, não tem jeito! Talvez seja por causa da minha avó, que todo almoço de Natal preparava uma travessa enorme de nhoque, com molho rosé a base de catupiry, frango desfiado e gratinado com muito queijo. Era uma delícia!


Eu resolvi testar essa receita quando me dei conta de que nhoque era só de batata. Recheados, com ricota e espinafre, mas a base... Batata. Então, decidi pesquisar e ver quais as outras opções que eu podia encontrar. Então, surgiram várias receitas com a sugestão de trocar a batata pela abóbora. Pronto, fiquei tentada a ponto de me meter a fazer nhoques. Antes que alguém pergunte, já respondo dizendo que a sujeira na cozinha valeu a pena.

Para 4 pessoas:
  • 500g de abóbora kabocha (japonesa) ou moranga - usei a japonesa porque acho que tem um sabor bem gostoso
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 ovo
  • Azeite
  • Noz moscada
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • Parmesão para finalizar

Para o molho:
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • Orégano


Retire a casca da abóbora e corte em cubos (para essa etapa é melhor utilizar uma faca de boa qualidade já que ela costuma ser bem dura). Em uma panela com água, cozinhe a abóbora até que ela fique mole - também pode ser no vapor. Quando ela estiver no ponto (cerca de 15 minutos de cozimento com a tampa), amasse com a ajuda de um garfo até que ela vire um purê. Espere esfriar - isso é MUITO importante, ok? Se você não esperar, a massa vai precisar de mais farinha para dar o ponto e consequentemente vai comprometer o gosto do produto final.

Depois de frio, adicione ao purê de abóbora a farinha, o ovo, a noz moscada, o sal e a pimenta. Trabalhe com a mão até formar uma massa homogênea e um pouco grudenta.

Jogue um pouco de farinha em uma superfície lisa, enfarinhe as mãos e comece a fazer rolinhos com a massa. Com a ajuda de uma faca, corte pequenos pedaços. Nessa parte os meus nhoques ficaram um pouco deformados (lembrem-se, foi a primeira vez), então resolvi fazer bolinhas.

Coloque uma panela com água e um fio de azeite para ferver. Quando a água estiver fervendo, coloque os pedaços de massa e espere boiarem. Quando subirem significa que está bom.

Em uma frigideira, derreta a manteiga, acrescente o orégano e adicione os nhoques. Sirva com queijo parmesão.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller