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13 de outubro de 2015

Minimalismo romano: Linguini Cacio e Pepe


Queria ser o tipo de pessoa que quando volta a um restaurante, faz pedidos diferentes para experimentar um novo prato a cada vez. Queria né, porque sou o tipo contrário: quando gosto de algo, insisto nela eternamente. Quando não conheço, vou naquelas opções que dificilmente dão errado. No caso dos restaurantes italianos, a tríade: Carbonara, Bife Parmegiana ou o Cacio e Pepe. Já fiz o primeiro, fico devendo o segundo, e hoje trago o terceiro: Linguini Cacio e Pepe.

Pesquisando, li no Paladar (Estadão) que existem contradições sobre a criação do prato. Uns afirmam que foi obra dos pobres, que tinham massa e queijo pecorino aos montes e podiam portanto criar um prato simples como esse. Historiadores, afirmam que isso é impossível já que a pimenta preta era algo extremamente caro e disponível apenas para a nobreza. De acordo com eles, o mais provável é que tenham sido os papas e cardeais os responsáveis pela invenção da receita. eu tivesse que chutar, ficaria com a versão dos papas. Devo concordar que realmente alguns tipos de especiarias eram vistas como raridade. Ou seja, pouco acessíveis ao povo.

Dia desses, me deu uma vontade louca de comer o clássico Cacio e Pepe. Ou melhor, não só de comer mas também de preparar. A lista de ingredientes é bem simples: macarrão, queijo pecorino, pimenta preta e água do cozimento. Como já dizia a minha avó, quando a esmola é demais o santo desconfia. Realmente, esse é um daqueles pratos que enganam horrores. Simples? Sim. Fácil? Não. E, antes que alguém pergunte: sim, eu errei. Muitas vezes.



A primeira tentativa foi bem frustrante: o queijo virou um grande chiclete apimentado, ou seja, nada cremoso e pouco incorporado ao macarrão. Para o meu desespero, isso se repetiu nas outras duas vezes. Deixei o teco do pecorino que me restava de lado para tentar outro dia. Lógico que não aguentei, e no dia seguinte lá estava eu de novo. Como as outras vezes foram um grande fracasso, nessa quarta tentativa optei por um método diferente: o preparo a frio.


De acordo com a culinária italiana, existem dois métodos utilizados em Roma: a preparação a quente e a frio. A primeira (e mais clássica de todas), acontece misturando o queijo com a massa e a água diretamente no fogo. A segunda, mistura-se primeiro o queijo com a água do cozimento fora do fogo até obter um creme, para depois misturar ao macarrão. O grande lance dessa receita está em controlar a temperatura para que o queijo não derreta antes de incorporar ao líquido. O segundo método não é o mais louvável deles por ser o mais fácil, mas em momentos de tensão funciona muito bem. De verdade? O importante é que deu certo! E, garanto que o gostinho do acerto deu um sabor muito mais especial ao meu prato.

Não existe uma quantidade de pimenta específica. Ou seja, esse é um daqueles pratos que são feitos de acordo com cada paladar. Eu gosto muito de pimenta, então acabo pesando a mão na hora do preparo. Acho que a agressividade da pimenta harmoniza muito bem com um bom vinho tinto, levando a experiência do Cacio e Pepe a um outro nível.



Pimenta no moedor, e vem comigo!

Para uma pessoa:
  • ¼ de um pacote de linguini grano duro (ou qualquer outra massa longa)
  • 80g de queijo pecorino ralado
  • Q/N de pimenta do reino (ralada na hora)
  • Q/N de água
  • Fio de óleo
  • Sal a gosto
Rale o queijo pecorino e moa a pimenta da reino. Reserve.

Cozinhe o macarrão na água salgada e com um fio de óleo conforme as instruções do pacote. Lembre-se apenas de colocar o sal depois que a água ferver, e deixar a massa al dente. Quando a massa estiver pronta, utilize um escorredor de macarrão e reserve a água do cozimento. Em um bowl, misture duas conchas pequenas da água do cozimento com o queijo pecorino ralado e a pimenta do reino. Mexa vigorosamente até formar um creme – se houver necessidade, adicione um pouco mais da água do cozimento aos poucos. É importante que a água esteja quente, no entanto, nem tanto para que o queijo possa derreter ao invés de formar um chiclete. Ok? Em seguida, adicione o creme ao macarrão e misture.








Sirva com um pouco mais de pimenta ralada na hora.

Bon Appétit!

Bisous,
Mariana Muller 

12 de fevereiro de 2014

Um dos melhores aperitivos: Dadinhos de Tapioca com Queijo Coalho


Se você mora em São Paulo e ainda não teve o imenso prazer de conhecer o restaurante Mocotó, pare de perder tempo e trate logo de fazer uma visita a um dos melhores pontos da cidade! Agora, se você já sabe do que estou falando... Não preciso entrar em detalhes porque sei que vai concordar com tudo o que eu disser.

O Mocotó é um daqueles restaurantes que seguem a famosa linha do: bom, barato e bastante. Sem exageros. Na realidade, eu trocaria o bom por EXCELENTE e o bastante por MUITA COMIDA MESMO (em caps lock para você entender a situação). Da cozinha do restaurante saem pratos para serem guardados na memória, cheios de personalidade e muito, eu disse muito, sabor. Talvez por isso a casa já tenha ganhado tantos prêmios e uma legião de fiéis frequentadores. Separe um sábado ou um domingo e prepare-se para enfrentar uma fila de espera daquelas bem caprichadas. CALMA! Eu garanto que isso é bom, na realidade, ótimo. Só faz aumentar a ansiedade e a vontade de mergulhar e se esbaldar em tanto sabor. Sabor carregado de brasilidade, fiel aos encantos nordestinos e com um toque pra lá de criativo.

E foi na minha primeira vez, indo até a Vila Medeiros e encarando uma fila de 3h - sim, 3h. E se você pensa que isso é um absurdo, fique sabendo que já ouvi outras pessoas falarem que esperaram mais de 4h - que eu me apaixonei perdidamente pelo cartão de visitas da casa: os famosos e fantásticos dadinhos de tapioca com queijo coalho, acompanhados de um molho de pimenta agridoce. Na primeira mordida já entendi que a minha espera não seria sofrida. E consequentemente o resto do meu almoço foi doce, senão, divino.

E toda essa história para dizer que desde então tento reproduzir os deliciosos dadinhos de tapioca aqui em casa. Seguindo a receita fiel... Ou quase! Ao invés de molho de pimenta, utilizo uma geleia de pimenta da Queensberry que me quebra uma galhão! Além do que, é uma ótima forma de impressionar os convidados e acalmar el poderoso chefão, ou seja, o meu pai.

Quer garantir o petisco do seu final de semana?

Para uma porção enorme:
  • 250g de tapioca granulada (não é aquela da Pugliesi)
  • 250g ou 4 palitinhos de queijo coalho
  • 500ml de leite integral
  • 1 1/2 colher de café de sal (opcional)
  • 1 pitada de pimenta branca


Rale o queijo de coalho e misture com a tapioca granulada.

Coloque o leite para esquentar e desligue o fogo quando levantar fervura. Em seguida, junte a mistura de queijo coalho com tapioca e misture bem para não formar grumos/pelotas. Adicione a pimenta e o sal. Como o queijo é salgado, veja se há realmente necessidade de colocar mais sal. Continue mexendo até a mistura começar a ficar firme (ela engrossa).

Forre uma assadeira ou um pirex com papel filme, isso ajudará muito na hora de desenformar. Despeje a mistura e nivele a massa alisando a superfície com a ajuda de uma colher. Cubra com papel filme e deixe a massa resfriar. Em seguida, leve a geladeira por mais de 3h (eu fiz a noite e deixei para preparar um pouco antes do almoço).

Desenforme a massa e corte em cubos.

Eu achei melhor assar ao invés de fritar (que é como manda a receita original). Pré-aqueci o forno a 180º e assei em uma forma com papel manteiga por 40 minutos (até os dadinhos ficarem moreninhos). No entanto, se você quiser seguir a receita a risca, frite por imersão os cubinhos até ficarem dourados.

Sirva com molho de pimenta agridoce ou geleia de pimenta.

¡UPDATE! Se quiser servir com melaço de cana também fica fan-tás-ti-co!

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller