Mostrando postagens com marcador laranja. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador laranja. Mostrar todas as postagens

28 de outubro de 2015

Tea time: Bolo Quatre-Quart com Raspas de Limão Siciliano e Laranja (Bolo Quatro-Quartos)


Existem receitas que são tão fáceis de memorizar, que acabam sendo imprescindíveis  em certos momentos. Lembro que enquanto cozinhávamos, a minha avó ficava repetindo que uma boa cozinheira tinha que saber as suas receitas de cabeça de cor e salteado para qualquer emergência que pudesse surgir. Infelizmente a minha memória não é tão boa quanto a dela e, até hoje, foram pouquíssimas as receitas que decorei de cabo a rabo. Mas, para mostrar que nem tudo está perdido, aprendi uma que nem precisei olhar o meu caderninho enquanto escrevia este post: Bolo Quatre-Quarts (Bolo Quatro-Quartos).

O Quatre-Quarts é originário da Bretanha, região oeste da França. Apesar de ser próprio de um lugar, a receita se espalhou pelo resto do país porque é muito simples de lembrar. Como o próprio nome já diz, ele leva 4 ingredientes principais e com proporções iguais: farinha, açúcar, manteiga e ovos. Esse bolo lembra muito o inglês Pound Cake, que também segue a mesma lógica dos quatro ingredientes, apenas com a medida diferente (453g).



Além da simplicidade dos ingredientes e a facilidade do preparo, o que eu gosto nesse bolo é que ele serve para vários tipos de momentos. Você pode preparar um quando bate aquela vontade de comer um bolinho, quando vai receber alguém em casa e não quer pensar muito no preparo, é ótimo para acompanhar cafés de manhã e chás da tarde e assaltos durante a madrugada.

Se você nunca comeu um Quatre-Quarts ou um Pound Cake, é importante saber que a consistência não fica igual a de um bolo fofo. A quantidade de manteiga e farinha deixa a massa pesada, logo, o bolo também. Eu indico ficar de olho na temperatura do forno para que ele não passe do ponto e fique esfarelento, ok? Outra coisa importante é dizer que o sabor dele também é bem neutro, por isso pode ser aromatizado com raspas de frutas cítricas, frutas secas, nozes, cacau etc.


Para acompanhar o bolo você pode acrescentar geleias, Nutella ou alguma outra cobertura que seja da sua preferência. Mesmo sem nunca ter feito, optei por fazer um chantilly aromatizado com suco de limão siciliano. Por algum motivo, achei que essa combinação podia dar certo. Minha gente, que loucura! Pudera eu ter descoberto isso antes! O bolo ficou ainda mais in-crí-vel. Recomendo!



Farinha, ovo, açúcar e manteiga à mão, e vem comigo!

Para um bolo:
  • 250g de farinha de trigo
  • 250g de açúcar
  • 250g de manteiga sem sal
  • 4 ovos
  • Raspas de uma laranja
  • Raspas de um limão siciliano
  • 1 colher de chá de fermento
  • Uma pitada de açúcar

Faça o mise en place para não se atrapalhar ao longo do processo.
Derreta a manteiga completamente e deixe resfriando na geladeira.


Unte uma forma de bolo inglês com manteiga e enfarinha. Reserve.

Pré-aqueça o forno a 180º C.

Raspe as cascas da laranja e do limão para obter as raspas. Reserve.


Junte a farinha, o fermento, o sal e as raspas. Reserve.

Separe as gemas das claras. Em velocidade média, bata as claras em neve com metade do açúcar. A consistência ficará um pouco mais pesada por conta do açúcar, ok? Além disso, o cor ficara ainda mais acetinada do que o normal. Transfira as claras em neve para outro recipiente e reserve.




Bata as gemas com a outra metade do açúcar até formar um creme esbranquiçado.


Acrescente a mistura de farinha ao creme de gemas. Aos poucos, adicione também a manteiga refrigerada. Mexa delicadamente.



Por último, acrescente as claras e mexa delicadamente até incorporá-las completamente à massa do bolo.



Preencha a forma de bolo e leve para assar por 40-50 minutos. O tempo varia de forno para forno, lembre-se disso. Após 40 minutos de cozimento, faça o teste do palito.


Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller

8 de outubro de 2014

Ma douce France: Crêpe Suzette


Quando volto para a casa depois do trabalho, dificilmente pego os meus pais jantando. Eu chego entre 20h e 20h30 e, para pessoas que estão habituadas a comer as 19h em ponto – senão mais cedo, o meu horário já é considerado “tarde”. Quando meu irmão aparece para dar um “alô” e filar uma boia, ele costuma me esperar antes de voltar para a casa dele. Dia desses, enquanto eu jantava e ele me fazia companhia, começamos a falar sobre as eleições e em quem votaríamos. A conversa foi se desenrolando e ele disse que as vezes sentia falta de Paris. Sentia falta do básico que não temos por aqui... E o que acontece com quem conversa comigo? Fácil, o papo consegue sair facilmente de política para virar comida. E de repente, naquele tom saudosista, ele expressou a saudade que sentia de comer uma crêpe. Daquelas feitas na rua, sem o menor luxo.

Achei o máximo quando ele disse isso porque há tempos já venho ensaiando um post para falar sobre elas: as deliciosas crêpes francesas.


Como não tínhamos nenhuma receita por aqui e as vezes não acho o Google tão confiável assim, o jeito foi falar com quem entendia. E quem melhor que um francês para ter uma receitinha daquelas? Daquelas que a família usa há anos, que os netos comem desde pequenos e a avó tem o maior orgulho. Pois é, era uma assim que eu estava buscando.


Entrei em contato com uma amiga – francesa – e na maior cara de pau perguntei “tem uma receita de crêpes?”. A resposta veio de bate-pronto. Ela não, mas falaria com a avó, que, provavelmente tinha algo guardado. Torci todos os dedos da mão. Ela não estava falando de uma receita qualquer, ela estava falando de uma receita DE VÓ. Eis que, de repente, eu recebo um aviso de mensagem. Abri e lá estava uma receita, escrita em francês e, por uma avó. Uma avó que usa Facebook. Para aquele dia eu não precisava de mais nada.

Comecei a receita com a ideia de fazer uma massa básica e rechear a crêpe apenas com queijo emmenthal. Mas, ao longo do processo acabei mudando de ideia. Fui egoísta e pensei única e exclusivamente no meio gosto. Da massa básica, parti para a minha predileta: a crêpe suzette flambada. Peguei a base da receita e adicionei raspas de laranja e Cointreau. Que ideia brilhante!


Vem comigo que essa receita é DAQUELAS. Mesmo e sem modéstia alguma, pode confiar em mim!

Para muitas crepes (contei até o 15 disco, mas ela rende um pouco mais):

Massa
  • 250g de farinha
  • 4 ovos em temperatura ambiente
  • 750ml de leite
  • 2 colheres de sopa de açúcar
  • 50g de manteiga derretida
  • Raspas de uma laranja grande
  • 2 colheres de sopa de Cointreau (caso não tenha Cointreau, pode substituir por rum)
  • Uma pitada de sal

Recheio
  • 80g de manteiga em temperatura ambiente/ponto de pomada
  • 50g de açúcar
  • Suco de uma laranja
  • 2 colheres de sopa de Cointreau
  • Conhaque para flambar
Comece pela massa. Derreta a manteiga e reserve.

Em um bowl, coloque a farinha, o sal e quebre os ovos no meio. Com um fouet, incorpore aos poucos os ingredientes.





Adicione o leite aos poucos até deixar a massa completamente homogênea. Coloque as raspas da laranja e o Cointreau logo em seguida. Por último, acrescente a manteiga derretida e misture bem.






Em uma frigideira (se você tiver uma panquequeira, melhor ainda), derreta um pedacinho de manteiga. Adicione uma concha de sopa de massa, espalhe bem e espere cozinhar a massa. Quando ela soltar, com a ajuda de uma espátula, vire a crêpe e cozinhe do outro lado. É um processo bem rápido.






Quando todas as crêpes estiverem prontas, faça o recheio. Em um bowl, misture o açúcar à manteiga. Acrescente o suco de laranja e misture. Por último, adicione o Cointreau. Nesse momento, pode ser que o seu recheio “talhe”, mas não se assuste, é normal. Coloque o bowl em banho-maria até que o recheio fique completamente homogêneo. Reserve.







Pegue uma crêpe, espalhe uma ou duas colheres de recheio por todo o disco e dobre em quatro. Coloque-a na frigideira e quando estiver quente, derrame uma dose pequena de Cointreau por cima. Flambe. Retire da frigideira e derrame a calda que tiver se formado por cima.







Dica: se quiser servir com uma bola de sorvete de creme, fica divido. Caso esteja achando o recheio muito forte, só a massa da crêpe suzette já vale por si só. Comê-la pura ou com alguma geleia é tão bom quanto!

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller

23 de julho de 2014

A volta de Proust: Madeleines de Laranja com Cointreau Banhadas com Chocolate Meio-Amargo


Já mostrei todo o meu amor pelas pequenas madeleines de Proust, nesse post aqui. Pois bem, não contente, lá fui eu assar mais uma fornada. O problema das madeleines é que elas são pequenas (petit four), logo, acabam rápido. E se acabam rápido... Eu fico puta da vida de não ter comido super orgulhosa de ter tido uma ótima saída. Recentemente comprei uma garrafa de Cointreau para fazer crêpes bebericar. Marquei um final de semana e no dia, bateu uma preguiça da-que-las. O jeito foi achar uma outra forma de usar aquele licor antes que alguém matasse a minha garrafa. Solução: madeleines de laranja.


Existe uma variação em relação as quais raspas usar na receita de madeleines: limão ou laranja. Como já fiz uma receita com raspas de limão, achei interessante colocar raspas de laranja desta vez. E se eu ia colocar raspas de laranja, nada mais justo do que colocar um pouco de Cointreau. Que nada mais é do que... Licor de laranja! Uma bela combinação, não?



Mas, não me dei por satisfeita. Só laranja e Cointreau ficaria muito parecida com a de limão. Básica. Queria dar uma incrementada na madeleine, mas sem perder a essência da mesma. Pensei seriamente em adicionar alguma sementinha na massa – para dar crocância. Mas as únicas que me vieram à cabeça foram as sementes de papoula, que by the way não circulam mais livremente no nosso país valeu ANVISA. Então, tive que pensar em uma solução. No caso, chocolate meio amargo.


Por quê? Simples! Uma vez fiz um bolo de chocolate cremoso com geleia de laranja que ficou uma delícia. Mesmo. Foi um casamento perfeito de sabores. Então, por que não repetir a experiência?

Deu certo. E muito! Como utilizei um chocolate meio amargo, o sabor da laranja ficou ainda mais sobressalente. E o cheiro? Eu sei que é difícil apenas ler, mas enquanto eu preparava a massa saía um aroma tão forte que foi meio enlouquecedor. Na hora de assar então, nem se fala. A cozinha ficou SUPER perfumada. Quando eu comecei a derreter o chocolate, foi praticamente o xeque-mate. Uma verdadeira mistura orgia de aromas e sabores.



Vem comigo!

Para 20 madeleines:
  • 100g de manteiga sem sal
  • 120g de açúcar
  • 100g de farinha de trigo
  • 2 ovos em temperatura ambiente
  • Raspas de uma laranja (usei a laranja Bahia)
  • 2 colheres de chá de Cointreau
  • 1 colher de café (ou 3 g) de fermento em pó
  • 1 bara de chocolate meio-amargo 

Pré-aqueça o forno à 200º.

Em fogo baixo, derreta a manteiga. Quando ela estiver completamente derretida, reserve.


Em um bowl, adicione os ovos em temperatura ambiente com o açúcar e bata com a ajuda de um fouet. Bata bem para entrar ar na mistura e deixar a massa mais leve e aerada. A mistura deve ficar levemente branca e “espumosa”.


Adicione a farinha peneirada aos poucos. Certifique-se de bater bem com o fouet para não deixar nenhuma pelotinha na massa.
Adicione a manteiga lentamente. Mexa cuidadosamente até incorporá-la completamente à massa.

Em seguida, com a ajuda de um ralador, separe as cascas de uma laranja. Adicione-as junto ao Cointreau e misture. Finalmente, adicione o fermento e misture delicadamente (e pouco para a massa não desandar).



Com a ajuda de um pincel, unte a forma de madeleines com manteiga (aproveite a que está derretida). Adicione massa em ⅔ de cada forminha (JAMAIS ATÉ A BOCA!)Asse OS PRIMEIROS CINCO MINUTOS à 220º, em seguida abaixe o forno para 200º E ASSE POR 10 MINUTOS. Espere esfriar e desenforme.


Quando as madeleines tiverem esfriado completamente, derreta o chocolate em banho-maria. Mergulhe o lado gordinho (o que não tem o desenho da concha) no chocolate e deixe repousando em papel manteiga ou em uma gradinha até o chocolate endurecer completamente.





Dica: madeleines são ótimos acompanhamentos para uma xícara de chá ou de café.

Bon Appétit!

Bisous,

Mariana Muller